Eloisa Gonçalves falava à Inforpress no âmbito do Dia da Mulher Cabo-verdiana, que se assinala hoje, 27 de Março, por todo o país, disse que apesar da legislação ser muito avançada e elogiada a nível internacional, é preciso ver o seu impacto na prática.
“Ainda não conseguimos alcançar, realmente, aquilo que nós almejamos a nível da lei da violência baseada no género (VBG), a morosidade da justiça e a lei da paridade para o Governo, parlamento e as câmaras municipais. Temos instrumentos para a igualdade, que estão a favor da luta pela igualdade de género, mas depois, na prática, ainda falta alguma coisa”, frisou.
A responsável da OMCV, destacou avanços legislativos como a lei da VBG e a lei da paridade, educação e saúde sexual e reprodutiva, bem como a crescente presença feminina em espaços de decisão, na política e em áreas tradicionalmente dominadas por homens.
“Hoje temos mulheres em praticamente todos os sectores da sociedade”, afirmou.
Apesar disso, apontou desafios estruturais que persistem ainda no seio das mulheres cabo-verdianas, como a pobreza.
“A pobreza ainda tem rosto feminino, há uma sobrecarga de trabalho não remunerado sobre as mulheres e a participação política continua aquém do desejado”, referiu, acrescentando que a violência baseada no género (VBG) continua a ser também uma preocupação.
A nível do empoderamento económico, considerou que há “muitos instrumentos” que estão por aí para beneficiar as mulheres, mas assegurou que o seu impacto não está a ser tão real ou tão forte” quanto aquilo que realmente desejam.
“Falta a questão da implementação e fiscalização para que esses programas, esses planos, esses fundos tenham realmente impacto na melhoria das condições de vida das mulheres e das famílias.
Sobre a VBG, considerou que o fenómeno continua a ser “preocupante” no país e defendeu uma “abordagem integrada” que inclua educação desde a infância, eliminação de estereótipos de género e reforço do sistema de justiça.
“É fundamental garantir respostas rápidas e eficazes às vítimas”, afirmou.
A responsável destacou ainda a importância da partilha equilibrada de tarefas domésticas, sublinhando que a sobrecarga feminina afecta a participação social, política e até a saúde mental das mulheres.
“Não se trata de ajuda, mas de responsabilidade partilhada”, frisou.
Neste sentido apontou a questão da saúde mental e emocional, importante para as mulheres, considerando um tema “ainda pouco discutido” no país.
A presidente da OMCV alertou para a necessidade de políticas específicas, incluindo a atenção às mulheres na depressão pós-parto.
Quanto ao trabalho que a OMCV tem feito em prol das mulheres, destacou programas de empoderamento económico, formação profissional, apoio a vítimas de violência e acções comunitárias de sensibilização, com foco nas mulheres mais vulneráveis.
A organização também desenvolve serviços como jardins infantis e centros de dia, visando reduzir a sobrecarga feminina e promover melhores condições de vida.
Neste dia deixou uma mensagem de incentivo a todas as mulheres cabo-verdianas, a valorizarem-se cada vez mais e a investirem na sua auto-estima.
“É preciso cuidar de si para poder cuidar dos outros e acreditar que é possível superar os desafios”, afirmou.
A Semana com Inforpress

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