quarta-feira, 30 setembro 2026

Cáritas Cabo-verdiana tem desempenhado “grande papel humanitário” em vários sectores sociais - responsável

Em entrevista à Inforpress, no âmbito do Dia Nacional da Cáritas, assinalado domingo, e do seu 50.º aniversário, a responsável afirmou que a organização tem desenvolvido um trabalho contínuo de apoio aos necessitados, pautado pela doutrina social da Igreja e pelo princípio do bem comum, sem distinções religiosas ou políticas.

“A Cáritas é uma instituição que está sempre presente em situações de catástrofes, incêndios e apoio às pessoas vulneráveis. Trabalha para o bem comum”, salientou Clara Marques, realçando que a organização actua hoje nas 43 paróquias do país, através de uma estrutura que une as vertentes nacional, diocesana e paroquial.

Entre as principais frentes de actuação, a responsável apontou o apoio directo às famílias - que inclui desde a assistência alimentar até aos cuidados de higiene e escuta activa - e a intervenção no sector da educação, através do reforço da dieta alimentar nas escolas com produtos hortícolas.

Clara Marques recordou ainda o papel crucial da organização durante a pandemia da covid-19, nomeadamente com o projecto “Nina”, que garantiu refeições diárias a famílias em situação de crise, e destacou como um dos maiores ganhos da instituição a formação das comunidades para o autoconsumo e alimentação saudável.

Segundo afirmou, as avaliações realizadas no terreno demonstram que muitas famílias continuam a aplicar os conhecimentos adquiridos, o que considera ser “um grande ganho” em termos de aprendizagem e autonomia.

Apesar desses ganhos importantes nas comunidades, Clara Marques destacou os principais desafios enfrentados pela organização, dos quais a escassez de recursos financeiros, materiais e humanos.

“O voluntariado é um dos recursos que praticamente não temos. Trabalhamos com pouca gente e temos dificuldades em termos de equipamentos e espaços para reunir com os beneficiários”, lamentou.

A responsável da Cáritas Cabo-verdiana apontou igualmente a redução significativa de financiamentos internacionais nos últimos anos, sublinhando que Cabo Verde, por ser considerado um país de rendimento médio-alto, tem registado menos acesso a projectos de cooperação.

A nível nacional, acrescentou, também não se tem verificado financiamento suficiente para sustentar as iniciativas da instituição.

Neste sentido, apelou ao reforço das parcerias e à mobilização de voluntários, com mais incentivos de jovens e profissionais das áreas sociais, como Sociologia e Assistência Social, a dedicarem pelo menos algumas horas semanais ao trabalho comunitário.

“O voluntariado não é só para dar bens, é também para prestar serviço”, frisou.

A Cáritas foi formalizada em Cabo Verde em 1976, integrando a rede da Cáritas Internacional, uma confederação presente em mais de 160 países com um forte cariz humanitário e social.

 

A Semana com Inforpress

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Comentários

joão do rosário
23 dias atrás 15 horas atrás

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jcf
25 dias atrás 8 horas atrás

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joão do rosário
27 dias atrás 14 horas atrás

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