quarta-feira, 30 setembro 2026

ONG Lantuna pede demolição de obra na Praia de São Francisco devido a impactos ambientais

Em declarações exclusivas à Inforpress, a responsável ambiental que fez um vídeo relatando a situação, disse que a construção utiliza materiais inadequados, como betão, que podem poluir o areal durante a fase de construção.

Ana Veiga enfatizou que a intervenção ocupa “áreas sensíveis” que desempenham um “papel essencial” na retenção de água, na protecção da vegetação nativa e na dinâmica da areia da praia.

A dirigente denunciou também a extracção de inertes nas proximidades da obra, cuja responsabilidade ainda não está claramente definida, se foi o próprio proprietário ou os trabalhadores, mas que poderá contribuir para impactos adicionais sobre o ecossistema costeiro.

Para Ana Veiga, deveria haver uma consulta pública antes do início do empreendimento, criticando na mesma linha, a ausência de envolvimento das associações locais de conservação, que há mais de dez anos actuam na protecção das tartarugas marinhas.

“Não é chegar e construir sem iniciar uma avaliação holística, porque naquela praia, também há uma ONG, uma associação comunitária de Vale da Custa, que já há mais de 10 anos vem trabalhando”, pontuou, reiterando a necessidade de avaliar os impactos ambientais.

Segundo Ana Veiga, a obra gerou indignação não apenas nas organizações da sociedade civil, mas também na população em geral.

“Parece-me que seria mais adequado um estudo de impacto ambiental, em que haveria um processo de consulta pública e até um estudo que iria avaliar o ecossistema no seu todo”, defendeu, destacando que obras próximas das zonas costeiras, tem de ser coordenado.

Conforme sublinhou, o tipo de construção e a localização não respeitam as directrizes do plano de ordenamento da zona costeira que está a ser elaborado em Santiago.

“Nós não concordamos e achamos que deverá ser demolido. (Mesmo que fosse de madeira, a localização não é adequada, porque ali é uma zona húmida temporária”, afirmou, acrescentando que pese embora Cabo Verde tenha uma legislação fortalecida quanto à conservação das tartarugas e das ovas, há a necessidade de uma concertação melhor entre as instituições e uma transversalidade.

A directora executiva da Lantuna propôs que seja realizado um estudo de impacto ambiental completo, envolvendo avaliação do ecossistema e consultas públicas, antes que qualquer obra em zonas sensíveis seja autorizada.

“Nós achamos que os cabo-verdianos querem um desenvolvimento sustentável, ou seja, um desenvolvimento que as gerações futuras também possam desfrutar e não destruir”, disse.

Reforçou que a protecção das praias e das zonas costeiras é uma responsabilidade colectiva e que qualquer intervenção deve priorizar o equilíbrio entre desenvolvimento e preservação ambiental.

Segundo Ana Veiga, a obra encontra-se, neste momento, embargada.

 

A Semana com Inforpress

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Comentários

joão do rosário
23 dias atrás 15 horas atrás

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25 dias atrás 8 horas atrás

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joão do rosário
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