quarta-feira, 30 setembro 2026

Moçambique contrata empresa dos EUA após críticas do FMI

A medida está a gerar contestação. Será mesmo preciso ir ao estrangeiro para encontrar especialistas que possam ajudar a fazer reformas fiscais Moçambique?

É a questão colocada pela economista Teresa Boene, dias depois do Ministério das Finanças anunciar a contratação de uma consultora norte-americana para apoiar o Governo a pôr as contas em ordem. "O país tem pessoas qualificadas em matérias de finanças e economia no seu todo. Então, é um pouco difícil de perceber o porquê da contratação desta empresa", considera.

De acordo com o portal online Checka, a firma contratada, a Alvarez & Marsal, é especializada na revitalização de grandes empresas em crise.

A economista Teresa Boene questiona se o dinheiro gasto com a empresa não seria melhor aplicado noutro sítio: "Com o financiamento externo cada vez a fechar-se mais, a questão é quanto isto vai custar ao Estado e qual o custo de oportunidade. Quanto é que Estado vai ganhar em detrimento daquilo que terá de pagar a esta empresa."

Críticas do FMI

A contratação da consultora norte-americana surge após as críticas do FMI a Moçambique. O Fundo Monetário Internacional alertou para um ambiente macroeconómico complexo, crescimento moderado, declínio da ajuda externa e vulnerabilidade fiscal.

Tudo isso dificultaria o acesso a financiamento externo, enquanto Moçambique continua a enfrentar dificuldades na arrecadação de receitas. Ao mesmo tempo, a dívida interna sobe, e isso tem custos.

"Os encargos mais elevados associados a dívida interna e […] a limitação do crédito à economia, porque o Governo vai reduzir o crédito que pode ser alocado para empresas e, desta forma, limitar o investimento privado, o que pode também limitar a capacidade de criação de empregos", lembra a economista.

O FMI pediu contenção salarial e reformas urgentes. O objetivo: "restaurar a estabilidade", "proteger os grupos vulneráveis" e "lançar as bases para um crescimento sustentável e inclusivo".

Economia mais funcional

O analista Anísio Buanaissa, disse ao canal privado STV, parceiro da DW África, que se o país avançar para uma economia funcional, será possível aumentar o emprego, contrariando as filosofias do FMI.

A solução passaria por aumentar a procura de produtos nacionais e, para isso, em vez de contenção salarial, deveria haver aumentos.

"Esses assalariados do Estado e do privado poderão dinamizar, com a sua limitação, o processo de aquisição; vão aumentar provavelmente a demanda, e a oferta poderá aumentar e a economia poderá ter a dinâmica própria e esses que vão produzir poderão ter também no exercício económico capacidade de pagar mais impostos ao Estado, quer dizer, vai ser um ciclo", defende.

A Semana com DW

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Comentários

joão do rosário
23 dias atrás 15 horas atrás

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jcf
25 dias atrás 8 horas atrás

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joão do rosário
27 dias atrás 14 horas atrás

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