quarta-feira, 30 setembro 2026

Ilha do Sal: Nova central elétrica e sistema de baterias reforçam capacidade e elevam renováveis acima dos 40%

Ao presidir ao acto oficial de inauguração das duas infraestruturas, Ulisses Correia e Silva sublinhou que os investimentos dão cumprimento ao programa governamental para o sector energético, alinhado com metas claras de transição energética e reforço da capacidade de produção.

Segundo o chefe do Governo, desde 2016 a procura de energia na ilha do Sal aumentou cerca de 60%, impulsionada sobretudo pelo crescimento do turismo e por novos investimentos em diversos sectores, o que tem exercido forte pressão sobre a capacidade instalada.

Neste sentido, destacou que o Governo tem vindo a implementar “soluções estruturais, com visão de médio e longo prazo”, combinando investimentos em produção térmica mais eficiente com o reforço significativo das energias renováveis.

O primeiro-ministro recordou que, no final de 2024, foi inaugurado um parque solar de cinco megawatts (MW), num investimento de cinco milhões de euros, e que, com o sistema de baterias hoje inaugurado, avaliado em seis milhões de euros, o armazenamento de energia renovável na ilha foi multiplicado por sete.

“Com as novas infraestruturas, a penetração de energias renováveis no Sal deverá ultrapassar os 40%, acima da meta nacional de 35% fixada para 2026”, sublinhou.

Relativamente à nova central elétrica da Palmeira, orçada em 30 milhões de euros, o chefe do Executivo salientou que a infraestrutura vai duplicar a capacidade térmica existente, reduzir custos operacionais e assegurar maior flexibilidade para integrar elevados níveis de produção renovável.

“É uma infraestrutura pensada para hoje e para o futuro próximo, num sector estratégico para o desenvolvimento do país”, afirmou, acrescentando que Cabo Verde pretende ultrapassar os 50% de produção de eletricidade a partir de fontes renováveis até 2030 e aproximar-se dos 100% até 2040.

Ulisses Correia e Silva realçou ainda os ganhos económicos e estratégicos da transição energética, nomeadamente a redução da dependência externa, actualmente cerca de 80% dos combustíveis utilizados na produção elétrica são importados, a diminuição da exposição a choques externos e a redução da factura energética para empresas e famílias.

Por seu turno, o presidente do Conselho de Administração da Empresa de Distribuição de Eletricidade de Cabo Verde (EDEC), João Spencer, manifestou “profundo sentimento de dever cumprido” na inauguração da nova central elétrica do Sal, classificando-a como uma infraestrutura decisiva para o presente e o futuro da ilha e do país.

O responsável reconheceu que o projecto atravessou diferentes administrações e enfrentou desafios técnicos, jurídicos e logísticos, mas sublinhou que a competência e o profissionalismo das equipas da Electra e da EPEC permitiram concretizar o investimento.

“A central constitui a base sólida para acelerarmos a transição energética, garantindo a estabilidade necessária para integrar mais energia solar e eólica”, afirmou.

Já o presidente do Conselho de Administração da Cabeólica, Bruno Lopes, destacou que a inauguração do Sistema de Armazenamento de Energia em Baterias (BESS) no Sal integra um investimento global de cerca de 60 milhões de euros, que abrange também as ilhas de Santiago, São Vicente e Boa Vista.

O projecto foi inicialmente financiado pela África Finance Corporation (AFC), através de financiamento intercalar, e posteriormente pelo Banco Europeu de Investimento (BEI) e pelo Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), modelo que, segundo explicou, permitiu acelerar a implementação com elevados padrões técnicos e ambientais.

No caso do Sal, o sistema dispõe de capacidade garantida de 6 MW / 6 MWh, integrando uma estratégia nacional de reforço do armazenamento que totaliza 26 MWh.

Com este projecto, acrescentou, a Cabeólica reforça o seu contributo para a transição energética, estimando poder produzir cerca de 30% da eletricidade do país com base na energia eólica.

O responsável considerou que a inauguração demonstra que Cabo Verde tem capacidade para desenvolver, financiar e executar projetos energéticos de grande dimensão “com excelência”, consolidando o percurso do país rumo a um sistema elétrico mais sustentável e resiliente.

A Semana com Inforpress

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Comentários

joão do rosário
23 dias atrás 17 horas atrás

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jcf
25 dias atrás 10 horas atrás

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joão do rosário
27 dias atrás 16 horas atrás

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