quarta-feira, 30 setembro 2026

Cabo Verde assinala Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência com foco em igualdade, desafios e políticas educativas

Apesar dos avanços no acesso feminino à educação, a representação das mulheres nas carreiras científicas ainda revela “desequilíbrios significativos”.

Em 2018, cerca de 66,8 por cento (%) dos estudantes em ciências exactas, engenharia e tecnologia eram homens, enquanto apenas 33,2% eram mulheres.

No caso das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), no final de 2023, contabilizavam-se 500 estudantes homens e 200 mulheres, demonstrando a persistência de lacunas na escolha destas carreiras por jovens mulheres.

Mesmo assim, os progressos no ensino superior são notáveis, e actualmente, 50,9% das pessoas com qualificação média ou superior em Cabo Verde são mulheres (…), reflectindo um aumento consistente da presença feminina em níveis mais avançados de instrução.

Para aprofundar a análise sobre os desafios e oportunidades da participação feminina nas ciências, a Inforpress abordou especialistas, profissionais e representantes de universidades, que cada vez mais incorporam ciência e tecnologia em suas grades curriculares.

Esses actores oferecem uma visão prática e estratégica sobre a realidade científica e tecnológica em Cabo Verde.

Para a coordenadora do Grupo Principal de Informática e Tecnologias Multimédia da Universidade de Cabo Verde, a professora Cleonice Moreira, a maior frequência feminina no ensino superior nem sempre se traduz em maior presença nas carreiras científicas ou cargos de liderança acadêmica.

“O acesso à rede de investigação, à liderança e ao financiamento científico continua desigual. Reconhecer que estas áreas são predominantemente masculinas é o primeiro passo para transformá-las por meio de políticas de equidade e programas de mentoria”, explicou.

Aquela responsável reforçou ainda que curiosidade, criatividade e capacidade de resolver problemas não têm género.

“Nenhuma mulher ou menina deve sentir que uma área não é para si. Procurar mentorias, envolver-se em projectos científicos desde cedo e acreditar no próprio potencial são passos fundamentais. A ciência exige persistência, mas é transformadora, tanto pessoal quanto socialmente”, acrescentou.

Entre as iniciativas que incentivam a participação feminina na ciência, sobressaem o projecto “kafuca”, concebido pelo Acelerator Lab do PNUD e RS2Lab e desenvolvido em parceria com o laboratório EDS TonsLab.

O projecto adapta um candeeiro tradicional para funcionar com energia renovável, levando electricidade a comunidades ainda sem acesso à energia e demonstrando como a ciência aplicada pode gerar impacto social real.

Outro projecto relevante é o ÍMPAR, cofinanciado pela União Europeia, que empodera mulheres e meninas na economia social subsaariana.

Segundo o membro da Comissão Instaladora da Associação de Mulheres Cientistas de Cabo Verde, Sheila Mendes, o programa combina formação, empreendedorismo e mentoria, desenvolvendo competências para soluções inovadoras.

 “Nosso foco não é excluir os homens, mas garantir que a participação feminina na ciência seja reconhecida e potencializada. Queremos contribuir para um desenvolvimento sustentável e inclusivo, alinhado aos desafios do século XXI e às novas tecnologias”, ressaltou Mendes.

A Universidade Jean Piaget, segundo a reitora Joanita Rodrigues, integra a igualdade de género como princípio estruturante das suas políticas acadêmicas e científicas.

“Promovemos a participação feminina na investigação, incentivamos a formação avançada e criamos condições para progressão na carreira científica, valorizando mérito e equidade. O facto de a universidade ser hoje liderada maioritariamente por mulheres demonstra que ciência, gestão académica e liderança são espaços acessíveis para todas”, afirmou.

A universidade desenvolve acções de extensão, divulgação científica e parcerias com escolas, incentivando meninas e jovens a seguir carreiras STEM.

A presença de mulheres em posições de referência acadêmica e científica, incluindo na liderança universitária, serve de inspiração e prova de que o percurso na ciência é viável quando apoiado por políticas educativas inclusivas e uma comunidade comprometida.

Políticas públicas e institucionais robustas são necessárias para garantir a participação efectiva de mulheres em todos os níveis da ciência, desde o acesso e permanência em cursos STEM até à liderança acadêmica e produção científica de excelência.

Ao final, a ciência e tecnologia pertencem a todos, independentemente do género. Incentivar meninas desde cedo, criar redes de apoio e promover mentorias são referenciados como passos essenciais para consolidar a presença feminina na ciência.

A Semana com Inforpress

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Comentários

joão do rosário
23 dias atrás 17 horas atrás

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jcf
25 dias atrás 10 horas atrás

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joão do rosário
27 dias atrás 16 horas atrás

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