quarta-feira, 30 setembro 2026

Índice de segurança elege Estados Unidos e Trump como os “riscos mais sérios” que o mundo enfrenta em 2026

 

Diz índice de segurança anual respondem os países do G7 e dos BRICS que “a renúncia, por parte da administração dos Estados Unidos, a elementos centrais da ordem internacional vigente está a impactar diferentes regiões do mundo”, com os efeitos mais evidentes a fazerem sentir-se na Europa e na região do Indo-Pacífico, onde “os governos há muito dependem da ‘Pax Americana’ e dela beneficiam enormemente”.

 

Segundo o Expresso-pt, a poucos dias de arrancar na Alemanha a 62ª Conferência de Segurança de Munique, que terá lugar entre 13 e 15 de fevereiro, o novo Índice de Segurança para 2026 – intitulado “Sob Destruição” – elege os Estados Unidos como “um risco mais sério do que no ano anterior”, dando continuidade a uma tendência que se tornou evidente na edição de 2025 do relatório, publicado após a eleição de Donald Trump. No encontro estará presente o secretário de Estado, Marco Rubio, e uma delegação do Congresso dos Estados Unidos.

Criado em 2021, a este índice de segurança anual respondem os países do G7 e dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Irão e Indonésia) – exceto Rússia, Japão e China – e todos eles são unânimes: não só os EUA são hoje um risco maior do que no passado, como a Europa tem de ser mais “assertiva” e “militarmente independente” face a uma “administração americana mais autoritária, que já não partilha o compromisso com as normas e valores da democracia liberal”.

“O mundo entrou num período de política destrutiva. A destruição generalizada é a ordem do dia. O Governo dos Estados Unidos promete libertar o país das restrições da ordem vigente e reconstruir uma nação mais forte e próspera. Como resultado, a ordem internacional pós-1945 liderada pelos Estados Unidos está agora em processo de destruição”, pode ler-se no relatório, que nomeia Donald Trump como “o mais poderoso entre aqueles que destroem regras e instituições existentes”.

Diz o documento, prossegue a mesma fonte,  que “a renúncia, por parte da administração dos Estados Unidos, a elementos centrais da ordem internacional vigente está a impactar diferentes regiões do mundo”, com os efeitos mais evidentes a fazerem sentir-se na Europa e na região do Indo-Pacífico, onde “os governos há muito dependem da ‘Pax Americana’ e dela beneficiam enormemente”.

Sobre a Europa, o relatório é claro: “Num momento em que a Rússia está a recuperar em várias frentes de batalha com a Ucrânia, o recuo gradual de Washington, o apoio vacilante à Ucrânia e a retórica ameaçadora sobre a Gronelândia estão a aumentar a sensação de insegurança na Europa. A abordagem dos Estados Unidos à segurança europeia é agora percebida como volátil. As nações europeias estão a preparar-se para uma maior autonomia”, refere o índice de segurança, que acusa Trump de ter “sede de destruição” e de “estar do lado de Vladimir Putin”.

“A maior parte da Europa observa o rumo dos Estados Unidos face ao autoritarismo com crescente preocupação, ou mesmo horror”, afirma o relatório, dizendo que o país se afastou dos princípios liberais que moldaram o pós-Segunda Guerra Mundial. “Enquanto os defensores das políticas do Presidente Trump acreditam que estas ‘tornarão a América grande novamente’, os críticos argumentam que levarão ao suicídio de uma superpotência.” Ao mesmo tempo, os líderes europeus estão a chegar à conclusão de que a dependência militar dos Estados Unidos está a chegar a um limite, acrescenta o relatório.

“Recentemente, os europeus tiveram de reconhecer que é quase impossível rejeitar acordos comerciais que contrariam as regras do livre comércio ou manifestar-se contra violações flagrantes da soberania de outros países, se dependerem fortemente da assistência militar do país que está a usar táticas coercivas e a desrespeitar as normas”, afirma o texto. “Para os europeus, que há muito tempo contam com Washington para assumir a responsabilidade pela defesa dos seus interesses, essa é uma constatação particularmente dolorosa.”

Conforme o referido jornal, o relatório sugere que os líderes europeus precisam de se adaptar às técnicas da administração Trump e ser mais ousados ​​na forma como tomam decisões e comunicam. “Reagir eficazmente exige muito mais coragem política e pensamento inovador. Os atores que defendem as regras e as instituições internacionais têm de ser tão ousados ​​como aqueles que tentam destruí-las.”

O documento alerta: “Numa era de políticas de destruição, aqueles que ficam de braços cruzados correm o risco constante de serem sepultados. Dada a quantidade de demolições que já estão a acontecer, não bastam esforços de pequena escala para reconstruir o antigo status quo. Há muito em jogo. Na verdade, tudo está em jogo.”, conclui Expresso-pt.

 

Colunistas

Alexandre Vieira Fontes
Alexandre Vieira Fontes
18 Sep. 2026
Filomena Silva: uma jornalista de coragem e...
  Filomena foi uma jornalista de gabarito, dotada de um...
José Rodrigues
José Rodrigues
07 Sep. 2026
Cabo Verde na Vanguarda da Nova Economia:...
A indicação do líder da operadora concessionária deve basear-se...
Léo Rosa de Andrade
Léo Rosa de Andrade
31 Aug. 2026
A ÉTICA DO DESINTERESSE, A VIDA EM...
A cultura do ódio trazida para a vida pública...
César Augusto G. Garcia
César Augusto G. Garcia
21 Aug. 2026
COISAS DO ESTADO ou ESTADO DE COISAS...
Relevar dignidade deste país é fazer com que o...
Tony Miranda
Tony Miranda
21 Aug. 2026
A Inflação do Prestígio: Como a Obsessão...
Esta inflação sistémica de títulos está longe de ser...
Péricles Tavares
Péricles Tavares
03 Aug. 2026
Editorial Analítico — A Década de Conflito...
A política cabo-verdiana viveu, nos últimos dez anos, uma...

Comentários

joão do rosário
23 dias atrás 17 horas atrás

SENHOR PRESIDENTE, DEIXE-SE DE TRETAS: NÓS SABEMOS QUEM O SENHOR É José Maria Neves vem agora dizer que é “muito melho ...

jcf
25 dias atrás 10 horas atrás

Cabo Verde tem uma facilidade extraordinária para comentar o que se passa na casa dos outros. Guiné-Bissau, Angola, Moçamb ...

joão do rosário
27 dias atrás 16 horas atrás

Isto já parece gozo. 177 casos desde o início do ano e já estão outra vez a sacudir o fantasma da pandemia. Sem números ...