quarta-feira, 30 setembro 2026

Projecto “Zonas altas do Fogo – caminhos para o futuro” defende traçados para desencravar áreas de grande potencial

O projecto prevê a construção de um traçado horizontal com mais de 20 quilómetros, ligando Montinho de Monte Velha, no município dos Mosteiros, à entrada do Parque Natural, em Cabeça Fundão, a uma altitude média de 1.500 metros.

A esta via junta-se a abertura de dois traçados verticais, que irão conectar as zonas de maior densidade populacional, nomeadamente Velho Manuel, a norte, e Monte Grande Sul.

Segundo Carlos dos Santos, o traçado horizontal funcionará como um terceiro anel rodoviário da ilha do Fogo, permitindo o acesso a áreas até agora isoladas, com elevado potencial nas áreas da agricultura, pecuária, turismo sustentável e na correção da erosão dos solos.

O desencravamento destas zonas é considerado fundamental para valorizar os recursos naturais e fixar populações no interior da ilha.

O projecto terá uma gestão comunitária, através de uma sociedade de desenvolvimento das zonas altas, estruturada em cooperativas, envolvendo proprietários de terrenos, agricultores, criadores de gado, associações locais, investidores nacionais e estrangeiros e outras organizações interessadas.

O objectivo é promover um modelo de desenvolvimento inclusivo, de base comunitária, que ultrapassa os ciclos políticos e abrange os três municípios do Fogo, nomeadamente São Filipe, Mosteiros e Santa Catarina.

Hoje será assinado um protocolo com o Ministério das Infraestruturas, Habitação e Ordenamento do Território (MIHOT) para o financiamento da aquisição de uma máquina retroescavadora de esteira, que permitirá dar início à abertura das vias e à implementação do projecto, com apoio da Câmara Municipal de São Filipe.

Além da elevada fertilidade dos solos, as zonas altas dispõem de pequenas nascentes de água, favoráveis à irrigação, à criação de animais e à transformação agroalimentar, reforçando a viabilidade económica do projecto.

Após a assinatura do protocolo, serão realizados estudos técnicos detalhados dos traçados e intensificada a mobilização de parceiros nacionais e internacionais, incluindo câmaras municipais, Governo e organizações internacionais, com vista a tornar as zonas altas do Fogo mais acessíveis, produtivas e sustentáveis, segundo Carlos dos Santos.

O imenso potencial da parte exterior da Bordeira conhecida por Serra para a viticultura e outras fruteiras no regime de sequeiro representa uma das maiores riquezas agrícolas da ilha, mas permanece subaproveitada por falta de acesso, incentivos e políticas públicas eficazes, segundo alguns produtores.

Para os produtores o futuro da ilha passa pelo aproveitamento do potencial agrícola do exterior da Bordeira, desde Cabeça Fundão (Santa Catarina), passando pelas zonas altas de Monte Grande/Cabeça Monte, Ribeira Filipe (São Filipe) até Montinho (Mosteiros), e para o aproveitamento do potencial basta abrir vias de acesso e criar condições e incentivos.

 

A Semana com Inforpress

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Comentários

joão do rosário
23 dias atrás 18 horas atrás

SENHOR PRESIDENTE, DEIXE-SE DE TRETAS: NÓS SABEMOS QUEM O SENHOR É José Maria Neves vem agora dizer que é “muito melho ...

jcf
25 dias atrás 10 horas atrás

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joão do rosário
27 dias atrás 17 horas atrás

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