quinta-feira, 01 outubro 2026

Cheias: Passageiros "presos" na Terminal da Junta

Ainda não há datas para a reabertura da Estrada Nacional Número 1 (EN1) que está intransitável há pouco mais de uma semana devido às cheias. O rio Inkomati, na província de Maputo, transbordou. O Governo trabalha a todo gás para a reposição da rodovia a fim de aliviar o desespero de centenas de pessoas que estavam em viagem quando tudo aconteceu.

Há cidadãos retidos ou sitiados em diversos pontos da zona sul de Moçambique por causa do corte da principal estarda de Moçambique, aEstrada Nacional Número 1 (EN1), na província de Maputo. Nesses locais já está a faltar um pouco de tudo para a sua sobrevivência. Na cidade de Maputo na Terminal Rodoviária da Junta há vários passageiros que pretendem viajar há quase duas semanas.

Dormem nos autocarros e para higiene pessoal pagam pelo uso de lavabos, bem como para carregar os seus telemóveis.

As queixas dos passageiros

Marcelino vai a Zambézia e pede assistência urgente. "Estamos a sofrer por causa de comida, não temos dinheiro, desde que estamos aqui no domingo [dia 18 de janeiro] até hoje”, queixa-se.

Solange Marta também não tem como sair da Junta para a Zambézia. Alías, a viagem foi interrompida na Manhiça quando a estrada ficou interdita e tiveram que voltar.

"Quando cheguei aqui já não havia mais viagem. Assim estou mal, já não tenho como sair daqui para a Zambézia”, lamenta.

Na cidade de Xai xai e vila da Macia, província de Gaza, e na cidade de Inhambane há também centenas de pessoas retidas. O presidente da Federação Moçambicana das Associações dos Transportadores Rodoviários (FEMATRO), Castigo Nhamane, garante que há um esforço para garantir assistência alimentar a estas pessoas.

"Na cidade de Xai-Xai temos cerca de 578 passageiros que não podem nem voltar nem seguir viagem, temos a mesma situação, mas sem números certos na cidade de Inhambane. O Governo tem feito a sua parte e nós também temos contribuído na procura de meios de subsistência dessas pessoas”, esclareceu. 

 Os perigos por causa do desespero

O desespero tomou conta de alguns passageiros que decidiram desafiar longas distâncias das zonas onde estavam retidas até onde há corte de estrada. Mas  lá enfrentam outros obstáculos: forte corrente de água, muita lama, pedregulhos e até crocodilos.

O analista e jornalista Alexandre Chiure afirma que esta atitude é perigosa. "Não se devia permitir isso, porque eles podem ser arrastados a qualquer momento. É uma situação que não se devia permitir e o Governo devia controlar isso", defende. 

Contudo, o jornalista afirma: "Mas eu compreendo por que fazem isso, é mesmo situação de desespero.”

Chiure sublinha que as cheias estão a ser devastadoras e há milhares de afetados. Por isso,  diz que as autoridades devem envidar esforços para socorrer estas pessoas.

"Estão a esquecer que há outro tipo de vítimas que são essas pessoas que deviam estar a viajar, mas não estão e nem tem onde dormir e precisam de ajuda. Então é preocupante que até hoje não estejam a ser atendidas pelo Instituto Nacional de Gestão de Desastres (INGD).”

A Semana com DW

 

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Comentários

joão do rosário
24 dias atrás 20 horas atrás

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jcf
26 dias atrás 13 horas atrás

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joão do rosário
28 dias atrás 19 horas atrás

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