quarta-feira, 30 setembro 2026

A Europa cansou-se finalmente de Trump ou na próxima crise tudo voltará a ser igual?

Estes consecutivos tumultos impostos à Europa e à ordem internacional pela nova Administração Trump já não deveriam surpreender ninguém, mas a completa imprevisibilidade do comportamento do Presidente dos Estados Unidos consegue sempre deixar os aliados europeus desconcertados. Quando o ano começou, a ideia de um ataque à Venezuela estava relativamente adormecida e no entanto a 3 de janeiro Nicolás Maduro foi raptado por forças especiais norte-americanas e está agora preso à aguardar julgamento em Nova Iorque.

A ideia da aquisição ou anexação da Gronelândia também já tinha flutuado pelos discursos de Trump, mas a escalada das últimas duas semanas não foi acautelada pelos aliados europeus, que foram obrigados a reunir de urgência e a enviar algumas dezenas de soldados para mostrar algum tipo de unidade.

Até ao fim da semana passada, os soldados dinamarqueses na ilha nem sequer tinham sido oficialmente autorizados a disparar sobre os invasores norte-americanos, essa ordem só foi dada há cerca de cinco dias, segundo a emissora pública DR. É natural que não estivesse no protocolo, afinal os Estados Unidos é um membro da NATO e, até há coisa de 10 anos, a NATO era uma organização que os Estados Unidos apoiavam sem qualquer “se” ou “mas”.

A instabilidade da aliança atlântica quando existe uma guerra na Europa é apenas um dos capítulos desta nova história, desta nova ordem mundial, a frase feita que tem sido tão usada para explicar a ruptura que veio do outro lado do Atlântico, mas há mais: a guerra económica ou a permanente ameaça de lançar uma, o fim do financiamento norte-americano a instituições fulcrais como a Organização Mundial da Saúde, a quebra com conceitos-pilar como a independência da Justiça e dos meios de comunicação social, e tantas, tantas outras coisas que hoje são menos certas do que quando Donald Trump chegou ao poder.

No meio de tudo isto, estão os Estados-membros da UE, o bloco de países mais rico do mundo, o mercado mais vasto do mundo, mas também um conjunto de democracias que se habituaram a deixar a Defesa nas mãos do gigante norte-americano e a focar-se, em vez disso, na estabilidade do Estado social. Claro, muito do que Trump diz sobre a Europa é mentira. Uma breve análise aos números do crime, dos salários e da economia, que o prémio Nobel da Economia Paul Krugman fez no seu Substack mostra que o tal declínio acentuado dos países europeus, de que tanto falam os ministros de Trump, não é exatamente real.

Mas, de repente, fomos todos acordados para enorme grau enorme de exposição da nossa economia e segurança e parece que, pelo menos desta vez, em Davos, os líderes europeus conseguiram mostrar a Donald Trump que a UE ainda é uma potência que é preciso respeitar. Volodymyr Zelensky, amedrontado pela falta de protagonismo da sua guerra, decidiu por uma estratégia de alguém que já não sabe o que mais fazer para mostrar aos europeus que se a Ucrânia cai não é só a Ucrânia que cai e só faltou insultar, pelo nome, cada um dos governantes. Será que vai resultar?

A Semana com Expresso

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Comentários

joão do rosário
23 dias atrás 19 horas atrás

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jcf
25 dias atrás 12 horas atrás

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joão do rosário
27 dias atrás 18 horas atrás

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