quarta-feira, 30 setembro 2026

Maio: Saída da população jovem separa famílias e agrava dificuldades económicas na ilha

Sem perspectivas de emprego, formação profissional e integração no mercado de trabalho, muitos jovens têm optado por emigrar para outras ilhas ou para o estrangeiro, sobretudo para Portugal e Holanda, em busca de melhores condições de vida, deixando para trás familiares e projectos pessoais.

É o caso de Kátea Lopes, que deixou o Maio há poucos meses rumo a Portugal, numa decisão marcada pela dor da separação familiar.

A jovem emigrante deixou na ilha uma filha de 11 anos e outros familiares, assumindo que essa foi a parte mais difícil do processo.

“Deixar tudo para trás, a família e os sonhos que idealizei na ilha foi a parte mais difícil na decisão de emigrar. Mas não via outra solução, porque não conseguia perspectivar oportunidades para os jovens no Maio. O meu objectivo é melhorar a vida dos meus familiares em Cabo Verde”, afirmou.

Natural da localidade do Barreiro, uma das zonas mais afectadas pela saída de jovens, Kátea reconheceu que a adaptação no país de acolhimento tem sido difícil, sobretudo pela ausência de familiares próximos e pelas limitações iniciais para trabalhar legalmente. 

Apesar disso, garante não ter planos de regressar ao Maio num curto prazo, por não antever melhorias significativas na situação socioeconómica da ilha.

Situação semelhante vive Jennifer Ribeiro, jovem residente na localidade de Figueira, que pondera igualmente abandonar a ilha devido à falta de oportunidades. 

Segundo explicou à Inforpress, a inexistência de políticas eficazes de emprego jovem, de formação profissional e de iniciativas desportivas e culturais tem contribuído para a desmotivação da juventude maienses.

“Grande parte dos jovens está desempregada. Quem termina o 12.º ano acaba por sair da ilha porque não encontra alternativas. Viver no Maio sem dinâmica desportiva e cultural, sem formação profissional e sem políticas de empregabilidade desmotiva qualquer jovem”, lamentou.

Para Jennifer Ribeiro, é urgente uma maior atenção das autoridades centrais e locais à juventude do Maio, sob pena de a ilha perder o seu principal motor de desenvolvimento.

“Se os jovens continuarem a sair, o Maio fica sem futuro. É preciso investir na juventude para travar este êxodo”, defendeu.

Moradores ouvidos pela Inforpress alertam que a saída massiva de jovens tem impactos directos na economia local, na sustentabilidade das famílias e na vitalidade social da ilha, apelando à criação de programas estruturantes de emprego, formação e empreendedorismo juvenil que permitam fixar a população jovem e inverter a actual tendência migratória.

A Semana com Inforpress

Colunistas

Alexandre Vieira Fontes
Alexandre Vieira Fontes
18 Sep. 2026
Filomena Silva: uma jornalista de coragem e...
  Filomena foi uma jornalista de gabarito, dotada de um...
José Rodrigues
José Rodrigues
07 Sep. 2026
Cabo Verde na Vanguarda da Nova Economia:...
A indicação do líder da operadora concessionária deve basear-se...
Léo Rosa de Andrade
Léo Rosa de Andrade
31 Aug. 2026
A ÉTICA DO DESINTERESSE, A VIDA EM...
A cultura do ódio trazida para a vida pública...
César Augusto G. Garcia
César Augusto G. Garcia
21 Aug. 2026
COISAS DO ESTADO ou ESTADO DE COISAS...
Relevar dignidade deste país é fazer com que o...
Tony Miranda
Tony Miranda
21 Aug. 2026
A Inflação do Prestígio: Como a Obsessão...
Esta inflação sistémica de títulos está longe de ser...
Péricles Tavares
Péricles Tavares
03 Aug. 2026
Editorial Analítico — A Década de Conflito...
A política cabo-verdiana viveu, nos últimos dez anos, uma...

Comentários

joão do rosário
23 dias atrás 16 horas atrás

SENHOR PRESIDENTE, DEIXE-SE DE TRETAS: NÓS SABEMOS QUEM O SENHOR É José Maria Neves vem agora dizer que é “muito melho ...

jcf
25 dias atrás 9 horas atrás

Cabo Verde tem uma facilidade extraordinária para comentar o que se passa na casa dos outros. Guiné-Bissau, Angola, Moçamb ...

joão do rosário
27 dias atrás 15 horas atrás

Isto já parece gozo. 177 casos desde o início do ano e já estão outra vez a sacudir o fantasma da pandemia. Sem números ...