sexta-feira, 02 outubro 2026

Ilha do Sal: PAICV acusa autarquia local e governação "socialmente injusta" e baseada em propaganda

Durante uma conferência de imprensa realizada na sede do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) em Espargos, a porta-voz sublinhou que a “falta de uma visão estratégica e sustentável” tem impedido que os benefícios da centralidade económica do Sal cheguem ao quotidiano da maioria dos cidadãos, criando um contraste entre os indicadores económicos oficiais e a vulnerabilidade social vivida nas comunidades.

Estregilda Oliveira questionou abertamente o "caso de sucesso" frequentemente apresentado pela Câmara Municipal, argumentando que esse desenvolvimento não contempla os trabalhadores que enfrentam salários baixos e precariedade, nem os jovens que, por falta de oportunidades, são forçados a emigrar.

A líder partidária alertou que o município não pode continuar a camuflar problemas graves, como o aumento do consumo de drogas e da prostituição, apenas para preservar a imagem turística da ilha, uma vez que estas questões são reflexos directos da exclusão social e da ausência de programas municipais de prevenção e reintegração.

“Não se pode esconder esse buraco tão grande da pobreza e das suas vulnerabilidades, o que tem impactos negativos para moradores e visitantes e que coloca em causa o recurso que permite não só o nosso sustento, mas o do país de uma forma geral”, sublinhou.

A situação habitacional e do saneamento básico mereceu especial destaque nas críticas do PAICV, que classificou o estado actual como "vergonhoso". 

“Em relação à habitação, a situação atingiu níveis inaceitáveis. Sal enfrenta um défice habitacional gritante. A especulação imobiliária avançou sem controle, o que empurrou os salenses para os bairros informais, como Terra Boa, onde tem vindo a crescer a construção de barracas, mas estão fingindo que não é nada”, continuou.

Além disso, descreveu um cenário de “saúde pública em risco”, com fossas a transbordar a céu aberto e uma gestão de resíduos sólidos “caótica”, que resulta na queima de lixo e na poluição das praias.

No que diz respeito à gestão do espaço público, a oposição apontou uma falta de controlo preocupante na praia de Santa Maria e na Pedonal Ildo Lobo, descrevendo esta última como uma "selva", onde os regulamentos aprovados não são cumpridos.

Segundo Oliveira, a economia da ilha permanece prisioneira de um modelo “exclusivamente dependente do turismo”, negligenciando pequenos comerciantes, pescadores e a diversificação económica necessária em sectores como a cultura e a inovação.

O diagnóstico final revelou um município “sufocado por dívidas avultadas e custos de funcionamento elevados”, o que, segundo o PAICV, exige uma mudança de rumo onde a governação seja feita para as famílias e não apenas baseada em “estatísticas e campanhas de imagem”.

A Semana com Inforpress

Colunistas

Alexandre Vieira Fontes
Alexandre Vieira Fontes
18 Sep. 2026
Filomena Silva: uma jornalista de coragem e...
Léo Rosa de Andrade
Léo Rosa de Andrade
31 Aug. 2026
A ÉTICA DO DESINTERESSE, A VIDA EM...
César Augusto G. Garcia
César Augusto G. Garcia
21 Aug. 2026
COISAS DO ESTADO ou ESTADO DE COISAS...

Comentários

joão do rosário
25 dias atrás 18 horas atrás

SENHOR PRESIDENTE, DEIXE-SE DE TRETAS: NÓS SABEMOS QUEM O SENHOR É José Maria Neves vem agora dizer que é “muito melho ...

jcf
27 dias atrás 11 horas atrás

Cabo Verde tem uma facilidade extraordinária para comentar o que se passa na casa dos outros. Guiné-Bissau, Angola, Moçamb ...

joão do rosário
29 dias atrás 17 horas atrás

Isto já parece gozo. 177 casos desde o início do ano e já estão outra vez a sacudir o fantasma da pandemia. Sem números ...

Pub-Reportagem

publireport