quarta-feira, 30 setembro 2026

Ruanda e RDC assinam hoje acordo de paz nos EUA

Numa conferência de imprensa, esta quarta-feira (03.12), em Washington, Patrick Muyaya, ministro da Comunicação da República Democrática do Congo, culpou o M23 pelos recentes combates e voltou a frisar os pontos de que a RDC não abrirá mão.

"[Os combates] são apenas mais uma prova de que Ruanda não quer a paz. O [nosso] Presidente está empenhado e, desde a assinatura deste acordo, estamos a fazer o nosso melhor para garantir que cumprimos a nossa parte", criticou.

Desde terça-feira, os combates continuam violentos em vários pontos da linha de frente na província de Kivu do Sul, onde o M23 ganha terreno há várias semanas, segundo a agência France-Presse (AFP). 

"Como o Presidente dos Estados Unidos disse há alguns dias, a paz para nós significa a retirada das tropas ruandesas, significa parar com todo o tipo de apoio ao M23", declarou Muyaya.

O acordo celebrado em junho em Washington pelos dois países não pôs fim às hostilidades. O exército congolês e o grupo armado M23, apoiado pelo Ruanda, continuam a acusar-se mutuamente de violar o cessar-fogo.

Ainda assim, Patrick Muyaya está expectante para o encontro de hoje e garante que Donald Trump "está muito empenhado" em resolver mais este conflito. O ministro congolês acredita que Washington tem as "ferramentas necessárias” para garantir que o Ruanda cumprirá o acordo.

"E sabemos que os Estados Unidos têm diferentes ferramentas para garantir que o lado ruandês respeite o seu compromisso, o seu envolvimento, para garantir que retirem as suas tropas do nosso território e para garantir que parem de apoiar o M23, para que possamos começar a falar sobre paz a sério. E a partir daí, falaremos sobre negócios e desenvolvimento", adiantou.

Acordo "ambicioso"

Também em declarações, esta quarta-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Ruanda disse esperar que este acordo seja um passo em direção à paz. Em entrevista à Reuters, Olivier Nduhungirehe explicou que, apesar dos combates, "há uma espécie de estabilidade no terreno".

O governante ruandês destacou ainda que o acordo proposto por Washington "é ambicioso" e espera que "Kinshasa compreenda que é uma oportunidade a ser aproveitada para acabar com este conflito de uma vez por todas."

De acordo com a porta-voz do Presidente da RDC, deverá também ser assinado um acordo de integração regional, insistindo Kinshasa no respeito pela soberania do país, na retirada das tropas ruandesas do seu território e na restauração da confiança mútua. 

Na cerimónia desta quinta-feira (04.12), Donald Trump receberá os Presidentes do Ruanda e da RDC, Paul Kagame e Félix Tshisekedi respetivamente.

Também o Presidente angolano, João Lourenço, participará no evento na qualidade de presidente em exercício da União Africana (UA). O chefe de Estado mediou o conflito até 24 de março, quando anunciou o abandono da mediação devido ao fracasso das negociações diretas da RDC com o M23, que deveriam ter ocorrido em Luanda no mesmo dia em que foi anunciado um encontro entre Tshisekedi e Kagame no Qatar, realizado sem o conhecimento de Lourenço.

 

A Semana com DW África

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Comentários

joão do rosário
23 dias atrás 17 horas atrás

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jcf
25 dias atrás 10 horas atrás

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joão do rosário
27 dias atrás 16 horas atrás

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