quarta-feira, 30 setembro 2026

Fogo: Líderes municipais de Santa Catarina com visões opostas nos 20 anos do município

O momento que deveria simbolizar “duas décadas de resiliência, esperança e sonho” ficou marcado por duas visões diferentes da realidade e do percurso de Santa Catarina do Fogo enquanto município.

O líder do MpD (Movimento para a Democracia) na Assembleia Municipal, Luís Alves, afirmou que a data, que deveria celebrar o progresso, “contrasta com o estado real do município”.

No seu entender, Santa Catarina “está sem rumo, sem visão e sem políticas sociais”, situação que, considera, ficou evidente durante a discussão do plano de actividades e orçamento de 2026.

O líder da oposição apontou um défice de 15.500 contos, ausência de medidas de combate à pobreza, falta de políticas de emprego digno para jovens e um aumento do endividamento que, segundo o mesmo, “compromete o futuro do município”.

Criticou o que classificou como práticas “nepotistas e clientelistas”, despedimentos arbitrários e perseguições políticas.

Luís Alves destacou que há “obras abandonadas, projectos paralisados e comunidades esquecidas”, acusando o presidente da câmara de estar distante dos munícipes.

Para o MpD, o orçamento de 2026 representa “mais dívida e zero visão social”, defendendo que Santa Catarina precisa de “liderança verdadeira, corajosa e competente”.

Por sua vez, a líder do PAICV (Partido Africano da Independência de Cabo Verde)  na Assembleia Municipal, Clara Andrade, considerou que Santa Catarina é “um dos municípios mais pobres de Cabo Verde” e que a ilha do Fogo carece de infra-estruturas estratégicas como porto e aeroporto.

Para Clara Andrade, as dificuldades actuais, agravadas pela fraca produção agrícola, custos de vida elevados e falhas nos serviços de transporte, água e energia,  exigem uma nova visão do Governo central.

A líder do PAICV apelou ao Executivo para reforçar os investimentos em saúde, dotando a ilha de especialidades médicas e equipamentos laboratoriais, concluir obras inacabadas e desbloquear apoios para agricultores e criadores afectados por incêndios.

Defendeu ainda a necessidade de modernizar a agricultura e reforçar parcerias com entidades como o Banco Mundial.

Clara Andrade criticou a dimensão do Fundo de Financiamento Municipal, afirmando que Santa Catarina recebe “menos de 100 mil contos, a única câmara do país abaixo desse valor”, sem apoio adicional do fundo de solidariedade municipal.

Para a líder do PAICV, o município precisa urgentemente de “solidariedade acrescida do Governo” para enfrentar os seus desafios estruturais.

A sessão, marcada por análises críticas e pedidos de maior apoio estatal, reflectiu duas visões distintas, mas convergentes na conclusão de que Santa Catarina do Fogo precisa de respostas estruturais para cumprir o sonho projectado há duas décadas, de ter um município desenvolvido.

A Semana com Inforpress

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Comentários

joão do rosário
23 dias atrás 18 horas atrás

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jcf
25 dias atrás 11 horas atrás

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joão do rosário
27 dias atrás 17 horas atrás

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