A informação foi avançada pelo coordenador de acampamento e técnico de aves da Bios.CV, Ruben Tacula, sobre a situação que tem sido observada pela associação, destacando a importância das acções em curso, especialmente na ilha da Boa Vista e ilhéus.
Sendo uma das suas preocupações evitar que o guinche [pandion haliaetus] enfrentam o mesmo declínio registado no passado com os abutres na ilha.
No âmbito do projeto de conservação de aves marinhas, com foco na cagarra [calonectris edwardsii], com concentração em ilhéus como Curral Velho e outras zonas de nidificação, o técnico indicou que a maior ameaça são as ações humanas, destacando-se a predação por gatos, classificados como "espécie invasora", que têm vindo a matar as aves e a comprometer as colónias.
As aves de rapina enfrentam ainda problemas derivados da pesca, como baixo nível de peixes no mar, que constitui a sua alimentação, o que força os guinches a afastarem-se dos seus habitats.
O desenvolvimento turístico e projetos imobiliários, como os previstos na Ponta do Sol, que se aproximam de onde existe uma colónia, também foram apontados como causas que levam a perda de habitat, perturbando e expondo as aves a roedores e gatos.
A organização, que realiza a contagem do número de aves para monitorização, indicou que colocam armadilhas para a captura e remoção de gatos dos locais de postura e nidificação, como forma de proteção e conservação.
A Bios.CV, dentro do trabalho de sensibilização e conservação destas espécies essenciais para a biodiversidade de Cabo Verde, apela à colaboração entre as autoridades, a comunidade e os promotores turísticos para encontrar soluções de desenvolvimento sustentável que proteja a fauna de aves do país, reconhecida pela BirdLife International como uma "área endémica para as aves".
A Semana com Inforpress

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