quinta-feira, 01 outubro 2026

Campo de Concentração do Tarrafal: Cabo Verde tem até 31 de Janeiro de 2027 para entregar dossiê de candidatura à Unesco

A informação foi avançada esta quarta-feira, 15, em conferência de imprensa por Ana Samira Baessa, presidente do Instituto do Património Cultural (IPC) e por Sandra Mascarenhas, coordenadora técnica da candidatura.

“Recebemos uma avaliação preliminar positiva da Unesco, o que marca uma etapa crucial no processo de candidatura do Tarrafal a Património Mundial”, precisou a presidente do Instituto do Património Cultural, Ana Samira Baessa.

Para a presidente do IPC, o relatório preliminar constitui uma base “sólida e encorajadora” para os trabalhos que vão agora continuar.

“Este processo exige envolvimento técnico, científico e diplomático, envolvendo todos os países cujas memórias estão ligadas ao Tarrafal, bem como apoio internacional, como do Fundo Africano do Património Mundial e da China”, acrescentou a presidente do IPC.

“Estamos no bom caminho, e cabe agora a Cabo Verde aprofundar as recomendações e preparar o dossiê definitivo para 2027”, vincou, por seu lado, a coordebadora técnica da candidatura, Sandra Mascarenhas.

Conforme frisou, a avaliação reconhece o Tarrafal pelo seu valor histórico enquanto prisão ligada à luta contra regimes totalitários e sublinha o seu simbolismo de liberdade, resiliência e condição humana. Diferente de outras prisões internacionais, o Tarrafal possui dimensão nacional, regional e internacional.

Segundo a coordenadora, a Unesco recomenda condições de habitabilidade para as 16 famílias residentes nos anexos do campo, definir o regime de propriedade e ocupação do solo, elaborar planos de gestão, de riscos e instrumentos de protecção do sítio, valorizar não apenas o espaço físico, mas também a dimensão imaterial do Tarrafal, e promover uma interpretação global, envolvendo países ligados historicamente ao campo.

“Não vamos expulsar as famílias que vivem nos anexos do Tarrafal, mas é preciso garantir condições de habitabilidade, com água, luz e reabilitação das casas, preservando a autenticidade e integridade do sítio”, concretizou.

Sandra Mascarenhas garantiu que Cabo Verde já iniciou o trabalho necessário para atender às recomendações, ampliando a visão do Tarrafal para todo o sítio e planeando uma interpretação global do espaço, incluindo a colaboração de países como Angola, Guiné-Bissau e Portugal.

Esta candidatura é igualmente uma forma de marcar, para toda a humanidade, aquilo que aconteceu neste arquipélago durante 38 anos, num lugar onde foram depositados cerca de 600 presos políticos, naturais de  Cabo Verde, Angola, Portugal e Guiné-Bissau, em condições desumanas.

O Governo de Cabo Verde, através do Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas e sob coordenação do Instituto do Património Cultural, apresentou, em 2024, a estratégia de candidatura do Campo de Concentração do Tarrafal a Património da Humanidade, no âmbito da celebração dos 50 anos de 25 de Abril e 50 anos do encerramento deste Campo Concentração.

 

A Semana com Inforpress

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Comentários

joão do rosário
25 dias atrás

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jcf
26 dias atrás 17 horas atrás

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joão do rosário
28 dias atrás 23 horas atrás

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