sexta-feira, 02 outubro 2026

Hamas exige libertação de militantes de alto nível em “linha vermelha” para Israel

A libertação destes militantes representa uma "linha vermelha" para Israel, afirmando que o Hamas, "ao insistir nestes nomes, garantirá a guerra e nenhum acordo".

A lista, à qual a Euronews teve acesso, inclui quatro nomes proeminentes: Marwan Barghouti, Ahmad Sa'adat, Hassan Salameh e Abbas al-Sayed.

Barghouti é um dos principais dirigentes da Fatah, detido por Israel em 2002 e condenado a cinco penas de prisão perpétua por homicídio relacionado com os ataques das Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa.

Sa'adat, antigo secretário-geral da Frente Popular para a Libertação da Palestina, foi condenado a 30 anos de prisão por ter organizado o assassinato, em 2001, do ministro do Turismo israelita, Rehavam Ze'evi.

Hassan Salameh é um alto comandante do Hamas condenado a 46 penas perpétuas por ter organizado os atentados bombistas contra autocarros em Jerusalém e Telavive nos anos 90, que mataram dezenas de israelitas.

Abbas al-Sayed é um dirigente do Hamas em Tulkarem condenado a 35 penas de prisão perpétua consecutivas por ter planeado o atentado bombista de 2002 no Park Hotel em Netanya, que matou 39 israelitas e feriu outros 140.

Por que razão o Hamas quer a sua libertação?

O Hamas solicitou repetidamente a libertação destes quatro comandantes durante as anteriores negociações com Israel, tendo estes pedidos sido sempre rejeitados.

Cada um deles representa um indivíduo de grande valor para o grupo armado. Sa'adat, enquanto líder da Frente Popular para a Libertação da Palestina, é visto como um símbolo da resistência palestiniana nas prisões israelitas.

O Hamas considera Salameh um herói nacional e um símbolo de lealdade para com os combatentes veteranos, ao passo que o seu pedido de libertação de al-Sayed mostra a sua intenção de exigir o regresso mesmo daqueles que estiveram envolvidos em ataques com elevado número de vítimas.

A Euronews conseguiu verificar, junto de fontes fidedignas na Palestina, que o indivíduo mais importante da lista para o grupo é Marwan Barghouti.

Um indivíduo que é visto pelo Hamas como um valioso aliado contra Israel, e a sua libertação é considerada importante para a sua influência a longo prazo na política palestiniana - apesar de um dos principais pontos do acordo de paz ser o afastamento do Hamas do poder.

Fontes de segurança israelitas disseram à Euronews que a exigência de libertação destes quatro indivíduos é "uma linha vermelha que a equipa de negociação não vai ultrapassar".

"Exigir a libertação destes terroristas significa mais guerra e a destruição total de Gaza", afirmaram.

O Hamas tem insistido, durante as negociações anteriores, que a libertação destes prisioneiros condenados à prisão perpétua é uma condição essencial para a libertação dos reféns que ainda detém, sublinhando a sua importância na estratégia de negociação do grupo militante.

Negociações indiretas no Egito

O governo israelita rejeitou o pedido da Euronews para comentar as exigências do Hamas enquanto decorrem as negociações no Egito.

Na terça-feira, fontes governamentais disseram à Euronews que Israel continua "cautelosamente otimista em relação às conversações no Egito", apesar das preocupações de que o Hamas "possa tentar manipular o processo".

"A nossa posição é clara: a libertação imediata de todos os 48 reféns, tal como acordado no plano do presidente Trump, não é negociável", afirmaram.

O Hamas concordou em libertar todos os reféns israelitas restantes, mas indica que quer mais negociações sobre vários pontos-chave delineados no plano de paz dos EUA.

O responsável máximo do grupo armado e líder da equipa de negociação com o Egito, Khalil al-Hayya, afirma que o Hamas precisa de "garantias reais" de um cessar-fogo duradouro como parte de qualquer acordo para o regresso dos restantes 48 reféns ainda em cativeiro em Gaza, dos quais se acredita que 20 ainda estejam vivos.

O mapa apresentado pela Casa Branca inclui três fases propostas para a retirada das tropas israelitas. A primeira fase deixa cerca de 55% da Faixa de Gaza sob controlo israelita, a segunda fase deixa 40% e a última 15%.

O mapa da Casa Branca não coincide com os mapas militares de Israel das áreas militarizadas e, mais importante ainda, nenhum dos dois apresenta um calendário claro para a futura retirada.

A Euronews conseguiu verificar, junto de fontes fidedignas na Palestina, que o Hamas está mais focado na extensão da retirada de Israel e no seu calendário, e que muito provavelmente estaria disposto a ceder nas suas exigências de libertação dos prisioneiros, como aconteceu nas negociações anteriores.

Mas o que também preocupa o grupo é o futuro dos restantes membros do Hamas e dos seus associados, caso o plano de Trump resulte.

Numa entrevista exclusiva à Euronews, no domingo, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmou que "o domínio do Hamas tem de acabar".

 

A Semana com Euronews

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Comentários

joão do rosário
25 dias atrás 22 horas atrás

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jcf
27 dias atrás 14 horas atrás

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joão do rosário
29 dias atrás 20 horas atrás

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