sexta-feira, 02 outubro 2026

Portugal: Investigadora adverte que “euforia” à volta do batuco não é um ganho prático

A investigadora, que falava à Inforpress à margem de uma mesa-redonda denominada “Batuku – da proibição ao valioso contributo para o nascimento da Nação Cabo-verdiana”, lembrou que o batuco é um dos elementos culturais e de identidade mais ancestral na vida dos cabo-verdianos.

Para Crisálida Correia, que é autora do livro “Baskudja Identidade” (Vasculhar Identidade, em português), sobre a ancestralidade e identidade cabo-verdiana, apesar de o batuco ter ganhado alguma visibilidade nos últimos anos fora e dentro de Cabo Verde, a nível de identidade ainda não ganhou nada.

“Hoje existe uma crescente euforia à volta do batuco, mas a nível prático ainda não ganhou nada”, insistiu a activista cultural.

Segundo ela, batuco, que é um dos elementos culturais que mais lutou pela dignidade do povo cabo-verdiano, tem que fazer o seu percurso sozinho.

“Batuco fez um percurso desde a proibição, mas, hoje está a ser conhecido. Conhecimento do público não é ganho. Ganho é quando o batuco tomar o seu lugar na história enquanto arte mais ancestral de Cabo Verde e quando houver lei que o protege de verdade e lhe dá o protagonismo real”, defendeu.

Questionada se a elevação do batuco a Património Nacional Imaterial se não é um ganho, disse que não, insistindo que a nível prático, estrutural e de conteúdo ainda não ganhou nada.

Na ocasião, lamentou o facto de o batuco actualmente não ser uma música de intervenção como outrora, alertando que o reduzir apenas ao divertimento e dança vai pôr fim a este género musical mais ancestral de Cabo Verde.

A mesa-redonda, contou com a participação do dinamizador cultural e líder da Comunidade Mochinhos do Interior Moisés Varela, que partilhou a experiência desse grupo de batuco de Santa Cruz.

O evento, organizado pelo Centro Cultural de Cabo Verde (CCCV), em Lisboa (Portugal), enquadra-se no âmbito das comemorações dos 50 anos da independência de Cabo Verde, assinalados a 05 de Julho, e para assinalar o Dia Nacional do Batuco e do Dia da Mulher Africana, celebrados anualmente a 31 de Julho.

Paralelamente ao evento, que contou com participação especial das batucadeiras Finka Pé e do projecto Falas Afrikanas, foi exibido o filme "Marina", de Ricardo Leote, com produção da Editora Noz Raiz.

O Dia Nacional do Batuco foi instituído em 2021, com o objectivo reconhecer a sua importância como Património Nacional além de louvar os intérpretes e aqueles que ajudaram na criação do universo cultural diversificado que expressa, no batuco, a alma cabo-verdiana e reconhecer os direitos humanos, os direitos dos cidadãos, das populações e das mulheres.

O batuco é um género musical cabo-verdiano, tradicionalmente executado por mulheres, que se baseia na percussão e no canto e dança. É um património cultural de Cabo Verde, principalmente na ilha de Santiago.

A Semana com Inforpress

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Comentários

joão do rosário
25 dias atrás 18 horas atrás

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27 dias atrás 10 horas atrás

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joão do rosário
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