sexta-feira, 02 outubro 2026

Ataque a Irão: Congressistas dos EUA acusam Trump de ter violado a Constituição

“Isto não é constitucional”, escreveu nas redes sociais o congressista republicano Thomas Massie, citando a mensagem em que Trump anunciou o ataque.

O democrata Jim Himes lembrou que congressistas como ele devem ter uma palavra a dizer sobre estes assuntos “antes de as bombas caírem”, algo que a sua colega de partido Alexandria Ocasio-Cortez reiterou, dizendo que “a decisão desastrosa do Presidente de bombardear o Irão sem autorização é uma violação grosseira da Constituição e dos poderes de guerra do Congresso”.

Sean Casten, também representante do Partido Democrata, disse que independentemente “dos méritos do programa nuclear do Irão”, nem Trump nem qualquer outro presidente dos Estados Unidos tem autoridade “para bombardear outro país que não representa uma ameaça iminente para os Estados Unidos”.

“Isto constitui um crime inequívoco que justifica a destituição”, defendeu Casten.

De acordo com a Constituição norte-americana, apenas o Congresso tem o poder de declarar guerra a um país. O ataque às instalações iranianas é um ato de guerra contra o Irão, que foi diretamente atacado por Israel há uma semana, com os dois países a trocarem ataques desde então.

Desde que há uma semana Trump deu a entender que os Estados Unidos poderiam vir a entrar no conflito ao lado de Israel contra o Irão, os republicanos têm-se manifestado divididos sobre se as forças norte-americanas devem intervir e arriscar-se a ser arrastadas para outro conflito no Médio Oriente, algo que o Presidente não excluiu.

Donald Trump confirmou este sábado que as forças armadas dos Estados Unidos atacaram três centros nucleares no Irão, incluindo Fordo, juntando-se diretamente ao esforço de Israel para decapitar o programa nuclear do país.

"Concluímos o nosso bem-sucedido ataque às três instalações nucleares no Irão, incluindo Fordo, Natanz e Esfahan", disse Trump numa publicação nas redes sociais e depois confirmada numa breve declaração à nação na Casa Branca.

O Irão prometeu na semana passada retaliar contra qualquer ataque norte-americano, caso o país se juntasse aos ataques israelitas e hoje reiterou a ameaça pelo chefe da diplomacia, Abbas Araqchi, que afirmou esta madrugada que Teerão se reserva “todas as opções” para se defender e que o ataque dos Estados Unidos “terá consequências duradouras”.

A decisão de Trump de envolver diretamente os Estados Unidos na guerra surge ao nono dia de ataques de Israel ao Irão, que tentaram erradicar sistematicamente as defesas aéreas e as capacidades de mísseis ofensivos do país.

As autoridades norte-americanas e israelitas haviam já considerado publicamente que os bombardeiros “stealth” norte-americanos B-2, com a capacidade de transportarem bombas anti-bunker com mais de 13 toneladas, ofereciam a melhor hipótese de destruir locais no subsolo fortemente fortificados, ligados ao programa nuclear iraniano, como é o caso de Fordo, uma das centrais nucleares atingidas.

Trump chegou à Casa Branca com a promessa de manter a América fora de conflitos estrangeiros dispendiosos e zombou do valor do intervencionismo americano protagonizados pelos dois presidentes democratas anteriores, Barack Obama e Joe Biden.

 

A Semana com  Lusa

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Comentários

joão do rosário
25 dias atrás 23 horas atrás

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joão do rosário
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