sexta-feira, 02 outubro 2026

ENTREVISTA: Independências: “Valeu a pena” apesar de quase tudo estar ainda por fazer em Moçambique – Chissano

“O que ficou por fazer em 50 anos? Ficou tudo. Porque, afinal, nós queremos evoluir sempre, sempre para melhor, não vamos chegar a um momento em que dizemos que já não queremos evoluir. Queremos uma vida sempre melhor do que a que nós temos, por isso aí não se estabelecem limites. Essa é a nossa inspiração”, começou por afirmar o antigo Presidente (1986 a 2005), em entrevista à Lusa, em Maputo.

Por outro lado, não tem dúvidas que “a maior conquista” da independência foi mesmo “a criação do Estado moçambicano” e “a unidade do povo moçambicano”, com o “crescimento e o fortalecimento” de uma nação que “nasceu com a luta de libertação nacional”.

“Fizemos muito trabalho para tirar o país do grande subdesenvolvimento em que estava - e que ainda está num grande subdesenvolvimento, mas nada comparado com os tempos em que encontramos o país -, portanto, temos grandes conquistas que derivam dessa unidade do povo moçambicano e a sua força de vontade de trabalhar e criar uma vida nova”, reconheceu.

Chissano sucedeu a Samora Machel, que proclamou a independência em 1975 e morreu num acidente aéreo em 1986, e foi também o primeiro Presidente da República de Moçambique eleito democraticamente, nas eleições multipartidárias de 1994.

“Valeu a pena. Vale a pena. Temos uma população que tem uma boa visão. E, falando de relações com Portugal, também em Portugal, a luta não para. E pensamos que vamos encontrar caminhos para nos ajudar uns aos outros. Não só para o bem dos nossos países, mas para o bem do mundo inteiro”, sublinhou.

Joaquim Chissano, 85 anos, é o mais antigo dos três antigos Presidentes ainda vivos, e um dos presidentes honorários da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), movimento em que se envolveu, na guerrilha, desde 1963.

“A luta de libertação de Moçambique começou com a certeza de que nós íamos conquistar a independência. É dentro dessa certeza que nós lutamos. Caso contrário, não teríamos levado a luta ao extremo em que a levámos. Mesmo no tempo em que ainda não tínhamos iniciado a luta armada. Era o mesmo fervor. Fazíamos a luta diplomática, a luta política, com o mesmo fervor, fazendo conhecer Moçambique ao mundo, era sempre com esta confiança de que nós vamos mudar a nossa vida”, concluiu.

A Semana com Lusa

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Comentários

joão do rosário
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