sexta-feira, 02 outubro 2026

Dino de Santiago defende protecção dos direitos dos artistas na era digital

O músico luso-cabo-verdiano sublinhou que as plataformas digitais geram lucros com as criações dos artistas, mas muitas vezes estes não recebem a compensação devida, destacando a importância de uma maior protecção e valorização da cultura cabo-verdiana.

Para Dino d’Santiago, muitos criadores, especialmente jovens, não têm plena noção de que as suas produções online, como canções e vídeos, podem gerar grandes lucros para as plataformas, enquanto os próprios artistas não recebem compensação adequada pelos seus trabalhos.

O artista exemplificou a situação de um jovem músico de Santiago, que, apesar de atingir milhares de visualizações no YouTube, não consegue registar a sua música em Cabo Verde devido à falta de uma infra-estrutura que permita o pagamento dos direitos autorais directamente no país.

Como resultado, a música é registrada em países como a Turquia, que têm maior população e infra-estrutura, enquanto o criador cabo-verdiano não recebe a compensação devida.

"Há uma máquina gigante a receber com aquilo que nós produzimos e deixamos nas plataformas digitais, mas o criador, muitas vezes, não tem consciência de que está a gerar dinheiro para essas entidades. Isso empobrece a nossa arte e cultura, enquanto as grandes multinacionais continuam a enriquecer", afirmou Dino d’Santiago.

O artista também destacou a relevância do workshop e do AME no fortalecimento da cultura cabo-verdiana, sobretudo no contexto da globalização.

Para ele, o evento proporciona uma oportunidade única de conectar a música cabo-verdiana com mercados internacionais e reforçar a importância da protecção da propriedade intelectual, para garantir que os criadores se beneficiem adequadamente do seu trabalho.

"No AME, estamos a falar da nossa cultura, da nossa história materializada em música, que pode chegar aos mercados internacionais, como a Europa, América ou Ásia. No entanto, é fundamental que preservemos a nossa identidade cultural e, ao mesmo tempo, saibamos negociar no mercado global", frisou.

Dino d’Santiago também sublinhou a importância de iniciativas como o AME para sensibilizar os governos e os criadores sobre a necessidade de um sistema eficiente de gestão e protecção dos direitos de autor, de modo a garantir que a arte e a cultura cabo-verdiana sejam valorizadas no cenário global.

O Atlantic Music Expo (AME) 2025 é a maior feira de música transatlântica, que começou nesta segunda-feira, 07, e vai até quinta-feira, 10, com uma série de conferências e espectáculos que envolvem participantes nacionais e internacionais.

 

A Semana com Inforpress

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Comentários

joão do rosário
26 dias atrás 6 horas atrás

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jcf
27 dias atrás 23 horas atrás

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joão do rosário
30 dias atrás 5 horas atrás

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