sexta-feira, 02 outubro 2026

Santo Antão: Retoma do evento "Páscoa Séb eh na Paul" em negociação com a câmara - promotores

Nos últimos anos, a Páscoa no concelho do Paul, em Santo Antão, tem vindo a ganhar uma nova dinâmica, ultrapassando a componente religiosa. 

O evento, que combina entretenimento e cultura, tem atraído não apenas os residentes locais, mas também um número crescente de turistas nacionais, “contribuindo significativamente” para a economia da ilha e do concelho nesta época.

Em declarações à Inforpress, Cleidir Gonçalves, em representação do grupo SEI Entertainment, explicou que, devido ao processo de negociação em curso, ainda não é possível garantir se será possível retomar mais uma edição da Páscoa no Paul.

"Ainda estamos no processo de negociação, a festa de Páscoa é uma tradição aqui no concelho, em que muitas pessoas, tanto nacionais como estrangeiros, vem visitar a ilha de Santo Antão com base nesse princípio", afirmou, daí a a necessidade de parcerias para continuar o trabalho que tem sido feito desde 2018.

O promotor sublinhou que a viabilidade do evento depende da colaboração das autoridades locais e, possivelmente, do Governo.

"Estamos ainda a negociar com a Câmara Municipal do Paul e, possivelmente, iremos envolver também o Governo para que se juntem a nós. A partir daí, poderemos garantir se realmente existe a possibilidade de fazer algo ou não", acrescentou.

Cleidir Gonçalves recordou que a história do evento remonta a 2018, quando o grupo SEI Entertainment, composto por ele, Célio Duarte e Fredy Oliveira, se propôs a dar uma resposta à falta de actividades culturais no concelho.

"O SEI surgiu de conversas e análises que tivemos, sempre com o objectivo de dar uma resposta à falta de actividades culturais no concelho", revelou.

A ideia, segundo a mesma fonte, surgiu quando ainda vivia em Portugal, enquanto os seus parceiros residiam no Paul. 

Apesar da existência de outro promotor local, sentiram a necessidade de criar “algo novo, mais dinâmico e abrangente”.

Segundo Cleidir Gonçalves, a primeira edição da “Páscoa Séb eh na Paul” foi um "marco", com a presença do grupo carnavalesco de Monte Sossego, cerca de 300 foliões e a participação de artistas como Elji. 

No entanto, as edições seguintes não decorreram como o esperado, o que levou a uma pausa nas actividades e à necessidade de repensar a abordagem do evento.

"Após uma paragem de um ano, houve a necessidade de repensar as actividades em Santo Antão e também no Paul”, concretizou Gonçalves, que ainda se referiu a “alguns contratempos” com outras actividades realizadas e a relação entre do grupo SEI Entertainment e anterior equipa autárquica, que se “deteriorou”.

No Paul, continuou, para se realizar uma actividade particular é necessário ter parceiros, pois há que responder a um nível de exigência que “permita fazer algo como deve ser”. 

“Não queremos fazer algo apenas por fazer, para não ficarmos sem fazer nada, queremos realizar actividades que façam sentido e que agreguem valor à comunidade e à ilha", salientou.

Além dos contratempos relacionados com a antiga equipa autárquica, Cleidir Gonçalves destacou as dificuldades logísticas e financeiras associadas à organização de eventos em Santo Antão.

"Ser promotor de eventos em Santo Antão tem de ser uma segunda ou terceira atividade, porque, se tentarmos fazer disso um negócio sustentável, é muito difícil, quase impossível", afirmou.

O promotor frisou que, para realizar grandes eventos, como o de Páscoa, é necessário o apoio da Câmara Municipal do Paul e outros parceiros, tal como acontece com a Festa de São João no concelho vizinho do Porto Novo.

Apesar das dificuldades, os promotores do evento estão comprometidos em trazer valor ao concelho e à ilha de Santo Antão.

A mesma fonte apontou ainda o "impacto positivo" do evento no comércio local e na ocupação de camas durante o fim de semana da Páscoa, que se torna difícil de gerir devido ao grande número de visitantes.

Cleidir Gonçalves disse esperar nova equipa camarária tenha uma relação “mais próxima e mais íntima connosco”, para que seja possível desenvolver “grandes actividades”, não só na Páscoa, mas também noutras épocas do ano.

“Paul já precisa de barulho, não de silêncio, porque já estamos incomodados com tanto silêncio, num lugar que precisa de um empurrão para se desenvolver", enfatizou.

 

A Semana com Inforpress

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Comentários

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