sexta-feira, 02 outubro 2026

Profissionais de saúde moçambicanos ameaçam retomar greve

“Os pacientes continuam a sacrificar os seus valores para comprar medicamentos, laboratórios sem reagentes e raio-X sem chapas para impressão, a comida dos pacientes continua uma vergonha, 99% dos pacientes continuam a adquirir as suas refeições”, descreveu em conferência de imprensa, em Maputo, o presidente da Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUSM), Anselmo Muchave.

Em causa estão as exigências da APSUSM, que há três anos pede que o Governo providencie medicamentos aos hospitais, face à necessidade, em alguns casos, de serem adquiridos pelos pacientes, bem como a aquisição de camas hospitalares, a resolução da "falta de alimentação", ou o equipamento de ambulâncias com materiais de emergência e equipamentos de proteção individual não descartável, cuja falta vai "obrigando os funcionários a comprarem do seu próprio bolso", além de um melhor enquadramento no âmbito da Tabela Salarial Única (TSU).

A associação, que abrange cerca de 65.000 profissionais de saúde de diferentes departamentos do Sistema Nacional de Saúde, acusou o novo executivo de “ignorar” as suas preocupações, no âmbito do seu plano dos primeiros 100 dias de governação, exigindo a sua resolução até 30 de março para evitar uma greve que, admitem, vai gerar o “caos”.

“O Governo assumiu o compromisso de reverter esta situação, mas infelizmente as nossas unidades sanitárias estão cada vez piores”, declarou o responsável.

A APSUSM e o Governo tinham antes alcançado um acordo para resolver as reivindicações apontadas há dois anos pela associação, que entretanto, disse, não foram materializadas: “Não se verificou a intenção de melhorar a infraestrutura dos blocos operatórios, muito menos a disponibilização do material médico”.

O presidente da APSUSM apontou que os pagamentos de horas extraordinárias, igualmente anunciadas este ano pelo executivo, ainda não foram concretizados.

O ministro da Saúde de Moçambique, Ussene Isse, afirmou em 12 de fevereiro que o país tem ʽstockʼ de medicamentos para os próximos nove meses, mas admitiu “desafios” para fazer os fármacos chegarem aos doentes.

O Governo moçambicano aprovou em 2022 a Tabela Salarial Única (TSU) para eliminar assimetrias e manter a massa salarial do Estado sob controlo, entretanto, o seu arranque fez disparar os salários em cerca de 36%, de uma despesa de 11,6 mil milhões de meticais/mês (169 milhões de euros/mês) para 15,8 mil milhões de meticais/mês (231 milhões de euros/mês).

A TSU custou cerca de 28,5 mil milhões de meticais (410 milhões de euros), "mais do que o esperado", segundo um documento do Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre a avaliação ao programa de assistência a Moçambique consultado pela Lusa em janeiro de 2024.

A aplicação da TSU tem sido alvo de forte contestação por parte de várias classes profissionais, como médicos e professores, com registo de atrasos salariais e cortes, incluindo nas forças de segurança, levando a greves e paralisações setoriais, nomeadamente na saúde e educação.

 O país tem um total de 1.778 unidades de saúde, 107 das quais são postos de saúde, três são hospitais especializados, quatro hospitais centrais, sete são gerais, sete provinciais, 22 rurais e 47 distritais, segundo últimos dados do Ministério da Saúde.

A Semana com Lusa

Colunistas

Alexandre Vieira Fontes
Alexandre Vieira Fontes
18 Sep. 2026
Filomena Silva: uma jornalista de coragem e...
Léo Rosa de Andrade
Léo Rosa de Andrade
31 Aug. 2026
A ÉTICA DO DESINTERESSE, A VIDA EM...
César Augusto G. Garcia
César Augusto G. Garcia
21 Aug. 2026
COISAS DO ESTADO ou ESTADO DE COISAS...

Comentários

joão do rosário
25 dias atrás 18 horas atrás

SENHOR PRESIDENTE, DEIXE-SE DE TRETAS: NÓS SABEMOS QUEM O SENHOR É José Maria Neves vem agora dizer que é “muito melho ...

jcf
27 dias atrás 10 horas atrás

Cabo Verde tem uma facilidade extraordinária para comentar o que se passa na casa dos outros. Guiné-Bissau, Angola, Moçamb ...

joão do rosário
29 dias atrás 16 horas atrás

Isto já parece gozo. 177 casos desde o início do ano e já estão outra vez a sacudir o fantasma da pandemia. Sem números ...

Pub-Reportagem

publireport