Carga movimentada nos portos moçambicanos cresce 10% apesar de recuo em Maputo

De acordo com dados do Governo moçambicano, o movimento de carga nos portos da Beira (centro) e de Nacala (norte) cresceu 12,9% e 13,6% respetivamente, enquanto o de Maputo “registou um decréscimo em 0,3%”, face ao ano anterior.

Em 2023, os portos moçambicanos tinham movimentado pouco mais de 63.361 tonelada de carga.

“No geral, o desempenho positivo dos portos deveu-se ao aumento do nível de manuseamento do combustível, trigo, fertilizantes; ao aumento da demanda e do desvio de carga dos outros portos da região; do aumento da capacidade instalada de carga; aumento da carga manuseada; e maior eficiência e redução do tempo no manuseamento de carga”, lê-se na mesma informação.

Acrescenta que os portos secundários do país também mostraram um aumento no manuseio de carga, com o de Nacala-a-Velha a registar um crescimento de 33,4%, o de Topuito a crescer 9,8%, de Quelimane 32,5%, Mocímboa da Praia a disparar 1.036,4% e o de Pemba, também em Cabo Delgado, a recuar 14,7%.

A carga manuseada pelo porto de Maputo recuou em 2024, para 30,9 milhões de toneladas, que a sociedade concessionária MPDC justificou em janeiro com as manifestações pós-eleitorais, apesar das taxas pagas ao Estado moçambicano terem aumentado.

Em comunicado divulgado anteriormente, a Sociedade de Desenvolvimento do Porto de Maputo (MPDC) afirma, contudo, que o porto “continuou a mostrar resiliência e adaptabilidade face a desafios logísticos significativos”.

Acrescenta que a diminuição dos volumes totais, em todos os terminais portuários do porto de Maputo e do porto da Matola, “deveu-se principalmente aos protestos pós-eleitorais e aos bloqueios rodoviários no corredor de Maputo, incluindo o encerramento da fronteira durante vários dias e ao condicionamento das operações fronteiriças e rodoviárias durante mais de um mês”.

“O corredor ferroviário entre a África do Sul e Moçambique foi também afetado pelos protestos e bloqueios, a par de um descarrilamento em outubro/novembro, que levou ao encerramento da linha durante um mês”, recorda a MPDC.

As manifestações pós-eleitorais em Moçambique provocaram desde 21 de outubro mais de 300 mortos e acima de 700 boleados, além de saques, pilhagens, barricadas e bloqueios de estradas e a destruição de equipamentos públicos e privados, bem como violentos confrontos com a polícia.

A Semana com Lusa

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