sábado, 03 outubro 2026

São Vicente: Entre o mofo e paredes descascadas Biblioteca Municipal clama por intervenção

Esta é a actual realidade da infra-estrutura, constatada pela Inforpress que, juntamente com o edifício, onde se situa a Alliance Française do Mindelo, ocuparam o terreno de uma única casa, a residência do primeiro presidente da Comissão Municipal do Mindelo, conforme informações da página Turismo CV.

Histórias de um património do tempo colonial, também com papel de destaque nos primeiros anos de independência nacional, mas que parece ser agora descurado.

Isto porque, os sinais da deterioração são visíveis desde a entrada, onde as paredes descascadas do hall dão as boas-vindas aos visitantes.

Um cenário a que sequer escapa a área reservada ao público infantil, que também tem de conviver com os sinais de infiltração e desgaste existentes por toda a parte.

Continuando o périplo, a escadaria também ressente desta falta de intervenção no interior, degraus “despidos”, sem o carpete que antes os forrava, e com plásticos colados nas paredes para servir de pala a água das chuvas, que tempos em tempos encharcam o edifício devido ao mau estado do telhado.

De sala em sala, com situações idênticas, também faz parte do conjunto a sala de formação, decorada nos fundos por fileiras de reservatórios colocados de antemão para receber os pingos de chuva, que causam danos às paredes, mas também ao chão de madeira.

Confrontado pela Inforpress com tal situação, o vereador do Património da Câmara Municipal de São Vicente, Rodrigo Martins, admitiu ter consciência da necessidade da intervenção neste património “tão importante” para a cidade do Mindelo.

“A Biblioteca Municipal, na realidade, tem sido alvo de algumas obras, mas não tem sido possível, sim, fazer as obras profundas que nós queremos fazer, relativamente à cobertura, que é uma necessidade quando chove”, sublinhou a mesma fonte.

O autarca considerou ser “urgente” a reabilitação, que há alguns anos está agendada nos diferentes orçamentos municipais, mas sem concretização.

Rodrigo Martins coloca a possibilidade de os trabalhos serem feitos ainda neste ano de 2025, mas, esclareceu, “tudo dependerá da capacidade de arrecadação de receitas, tendo em conta que o orçamento é somente uma previsão”.

Mas, afirmou, mantém-se a preocupação de intervir “mais profundamente” nesta infra-estrutura que já existia num plano de 1858, bem antes da criação do edifício da Câmara Municipal de São Vicente, que foi também mais tarde construída nos arredores da Praça Dom Luís, praça considerada na altura a principal da cidade.

Em 1860, conforme informações da Turismo CV, a actual biblioteca foi adquirida pelo Governo, para abrigar a Administração do Concelho, a Repartição da Fazenda, os Correios, a Capitania dos Portos e a Delegação da Junta de Saúde, em diferentes anos. 

O edifício foi depois comprado pela companhia de carvão instalada em São Vicente que a remodelou para receber os seus escritórios. Na Intervenção, o espaço onde existia a única casa, foi transformada em um quarteirão com diferentes edifícios.

Após a independência tornou-se sede do Partido Africano para a Independência de Guiné e Cabo Verde (PAIGC) e instalou-se aí, também, os escritórios da Juventude Africana Amílcar Cabral (JAAC-CV).

 

A Semana com Inforpress

Colunistas

Alexandre Vieira Fontes
Alexandre Vieira Fontes
18 Sep. 2026
Filomena Silva: uma jornalista de coragem e...
Léo Rosa de Andrade
Léo Rosa de Andrade
31 Aug. 2026
A ÉTICA DO DESINTERESSE, A VIDA EM...
César Augusto G. Garcia
César Augusto G. Garcia
21 Aug. 2026
COISAS DO ESTADO ou ESTADO DE COISAS...

Comentários

joão do rosário
26 dias atrás 10 horas atrás

SENHOR PRESIDENTE, DEIXE-SE DE TRETAS: NÓS SABEMOS QUEM O SENHOR É José Maria Neves vem agora dizer que é “muito melho ...

jcf
28 dias atrás 2 horas atrás

Cabo Verde tem uma facilidade extraordinária para comentar o que se passa na casa dos outros. Guiné-Bissau, Angola, Moçamb ...

joão do rosário
30 dias atrás 9 horas atrás

Isto já parece gozo. 177 casos desde o início do ano e já estão outra vez a sacudir o fantasma da pandemia. Sem números ...

Pub-Reportagem

publireport