sábado, 03 outubro 2026

Produção de algodão em Moçambique cresceu 2% em 2024 para 24.000 toneladas

De acordo com os dados da execução orçamental de 2024, do Ministério das Finanças, a produção de algodão, uma das culturas de referência do país, ficou aquém das 40.000 toneladas previstas, cumprindo apenas 60% da meta, embora acima das 23.516 toneladas de 2023.

Em 2024, a área de produção de algodão em Moçambique cresceu para 96.523 hectares, contra os 95.097 hectares no ano anterior, segundo os mesmos dados.

As exportações de algodão renderam a Moçambique 7,6 milhões de dólares (7,3 milhões de euros) na primeira metade do ano (janeiro a junho), uma queda de 71% face ao mesmo período de 2023, segundo dados do Banco de Moçambique noticiados anteriormente pela Lusa.

As exportações de algodão recuaram o equivalente a 18,5 milhões de dólares (17,7 milhões de euros) em termos homólogos, em comparação com os 26,1 milhões de dólares (25 milhões de euros) exportados nos primeiros seis meses de 2023.

“Este comportamento é explicado pela queda de 4,5% no preço médio da fibra de algodão no mercado internacional, num contexto em que o volume exportado aumentou 36,2%”, apontou no final de 2024 o banco central, num relatório.

De acordo com dados avançados em maio à Lusa pelo presidente da Associação Algodoeira de Moçambique (AAM), Francisco Ferreira dos Santos, o algodão em Moçambique representou uma média anual de 30 a 50 milhões de dólares (28,7 a 48 milhões de euros) em exportações nos últimos 10 anos, sendo uma cultura tida como essencial: “Tem uma cadeia de valor enorme (…) é uma cultura quase que sagrada, com efeitos catalisador na economia e na demografia”.

O Governo moçambicano atribuiu no ano passado um subsídio para a compra de algodão de cinco meticais (sete cêntimos) por quilograma na atual campanha, estabilizando preços e beneficiando 600 mil agricultores, além de incentivar uma “cultura de confiança”, anunciou em maio o ministro da tutela.

“Esta estabilização de preço e este subsídio que estamos a aprovar vai tocar cerca de 100 mil famílias. Estamos a falar de um universo de 600 mil pessoas que vão ter o seu rendimento estabilizado”, disse o então ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural de Moçambique, Celso Correia.

Para a campanha de 2023/24 foi fixado o preço mínimo de 30 meticais (45 cêntimos de euro) por quilograma na venda de algodão, incluindo o subsídio a atribuir pelo Governo, contra os 33 meticais (50 cêntimos) por quilograma e o subsídio de sete meticais (11 cêntimos) na campanha anterior.

A falta de chuva em algumas regiões do país devido ao fenómeno meteorológico ‘el niño’, o continuo abandono da produção na província de Cabo Delgado, uma das maiores produtoras do país, mas sobretudo o excesso da produção no mercado condicionaram em baixa o preço e levaram, pelo segundo ano consecutivo, a fixar um subsídio para manter o rendimento aos produtores.

“Há uma pressão global exercida pelos países onde há subsídios, que está a pôr o preço do algodão em baixa. Está-se a produzir muito algodão, os ‘stocks’ estão a subir”, explicou o ministro Celso Correia.

Moçambique representa menos de 0,5% da produção mundial de algodão, num mercado liderado por países como Estados Unidos, China ou Índia.

Na campanha de 2022/23 foram comercializadas 37.400 toneladas, com subsídios estatais de 261,6 milhões de meticais (3,8 milhões de euros).

A Semana com Lusa

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Comentários

joão do rosário
26 dias atrás 11 horas atrás

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28 dias atrás 3 horas atrás

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joão do rosário
30 dias atrás 9 horas atrás

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