sábado, 03 outubro 2026

Moçambique é o país com mais deslocados na África Austral - relatório

Os dados constam do relatório da organização não-governamental (ONG) Centro de Monitorização das Deslocações Internas (IDMC, na sigla em inglês), que faz parte do Conselho Norueguês para os Refugiados, e que foi divulgado hoje em Genebra.

“A maioria foi registada em Moçambique, que é afetado por ambos os fatores", destaca o IDMC, salientando, contudo, que neste país lusófono "são produzidos mais dados do que noutros países".

"É difícil traçar um quadro claro das tendências de deslocação interna a nível sub-regional, o que sublinha a necessidade de melhorar e manter os esforços de monitorização”, refere.

Moçambique é o país destacado na África Austral, região que representa mais de metade (59%) de todas as deslocações provocadas por catástrofes naturais consideradas pelo IDMC no continente africano.

Relativamente a conflitos e violência, a situação em Cabo Delgado, província do norte de Moçambique, foi a que desencadeou mais deslocações, 592 mil até ao final de 2023, em consequência das ações terroristas conduzidas desde 2017 pelo movimento fundamentalista islâmico Ahlu Sunna Wal-Jama (ASWJ).

Outro país lusófono destacado no relatório é Angola com o IDMC a realçar que os números relativos a este país “devem ser considerados como subestimações significativas”, porque as principais zonas urbanas, incluindo a capital, Luanda, estão expostas a um elevado risco de inundações.

“Os relatórios mostram que áreas inteiras da cidade são inundadas durante a estação das chuvas, mas é difícil obter dados completos sobre as deslocações”, afirma.

Os dados mais recentes relativos a Angola apontam para 79 mil deslocados devido a catástrofes naturais em 2023, incluindo 36 mil devido às inundações na província costeira do Cuanza Sul, em meados de dezembro.

No início de novembro chuvas fortes e inundações provocaram mais 6.800 deslocados na província de Malanje.

Até ao final de 2023, o relatório estima em 35 milhões o número de pessoas deslocadas internamente (IDP, na sigla em inglês) em África, valor que representa metade do total mundial e três vezes mais do que em 2009.

Apenas cinco países - Etiópia, Nigéria, República Democrática do Congo, Somália e Sudão -, totalizam 80% das pessoas deslocadas devido a conflitos e violência em África.

“As alterações climáticas estão a tornar os riscos relacionados com o clima mais frequentes e mais intensos, e estão a amplificar outros fatores que tornam as comunidades mais vulneráveis à deslocação por catástrofes, aumentando o risco de futuras deslocações”, alerta o IDMC.

A ONG adverte que, se os Governos africanos e os seus parceiros internacionais não redobrarem os seus esforços, “é provável que o número de pessoas forçadas a abandonar as suas casas continue a aumentar”.

“Ao chamar a atenção para a escala, as causas e os impactos da deslocação interna em África, e ao demonstrar que o progresso é possível, este relatório visa gerar um interesse renovado e um maior investimento na abordagem desta questão crítica”, sublinha.

A ONG destaca ainda que os conflitos, a violência e as catástrofes sobrepõem-se frequentemente ou repetem-se, “provocando crises de deslocação complexas”.

“Estas situações vêm juntar-se aos baixos níveis de desenvolvimento socioeconómico, à insegurança alimentar e a outros desafios, colocando os deslocados internos num ciclo de vulnerabilidade e risco de deslocação”, acrescenta.

A Semana com Lusa

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Comentários

joão do rosário
26 dias atrás 21 horas atrás

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28 dias atrás 14 horas atrás

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joão do rosário
30 dias atrás 20 horas atrás

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