sábado, 03 outubro 2026

Médica Pneumologista recomenda vacinação contra gripe regularmente para reduzir riscos de pneumonia

A médica, que trabalha no hospital Universitário Agostinho Neto, falava à Inforpress no âmbito do Dia Mundial da Pneumonia, que se comemora, na terça-feira, 12, sob o lema “Defendendo a luta para acabar com a pneumonia”.

Esta especialista alertou que esta medida preventiva e activa deve ser feita ao longo do ano e não só no período de maior incidência desta doença, que acontece sempre nos meses de Outubro a Janeiro, a nível mundial, e também nos meses de Julho e Agosto, época de chuvas em Cabo Verde.

Explicou, neste particular, que uma pessoa vacinada contra a gripe contribui para melhorar a resposta imunitária quando entra em contacto com o vírus da gripe que pode resultar em pneumonia.

A médica aproveitou para alertar também que é “importante” que as pessoas saibam que estas vacinas não actuam e nem trazem uma imunidade a tempo inteiro, mas sim contribuem para diminuir o risco.

“É preciso repetir as doses dessas vacinas que são chamadas vacinas casuais periodicamente”, sublinhou Ofélia Monteiro, realçando que é indicada sobretudo a pessoas que têm doenças crónicas e ainda a profissionais de saúde que lidam sempre com os doentes.

De entre os doentes crónicos, destacou os que têm doenças pulmonares, respiratórias, cardiopatia, diabéticos, oncológicos e ainda os que têm o vírus do HIV.

Apontou também que pessoas com mais de 65 anos e crianças com menos de 05 anos constituem os grupos que têm maiores riscos de desenvolver pneumonia.

Essas vacinas, segundo a mesma fonte, são feitas nas estruturas de saúde anualmente, a partir do mês de Outubro, sobretudo para pessoas com doenças crónicas.

Avançou que desde o ano passado as estruturas de saúde estão a fazer a vacina a esses grupos, principalmente os doentes que fazem diálise e os diabéticos, considerando que após esta vacina houve impacto na redução de pneumonia.

A mesma fonte informou que em 2023 o Ministério da Saúde adquiriu cerca de 5 mil doses de vacinas e que este ano foram reforçadas com mais 10 mil, para reduzir o risco nas populações inefetivas.

E a vacina, conforme informou, é gratuita para os doentes crónicos, oferecido nos centros de saúde e nos hospitais. Para as outras pessoas consideradas saudáveis podem ser adquiridas nas farmácias, por “um preço acessível”.

Por outro lado, a pneumologista afirmou que o controlo das doenças crónicas passa por evitar o consumo do tabaco e do álcool, “factores essenciais” para travar a enfermidade, considerando que estas são as causas propícias para o desenvolvimento da pneumonia.

Questionado se a poluição do ar constitui também um dos factores de risco de infecções por esta doença, considerou que a poluição do ar é um factor "agravante" para o início da pneumonia, sobretudo actualmente em que o mundo atravessa constantes alterações climáticas. 

Com isso, considerou que devido a bactérias e metais, entre outros resíduos que vem no ar, resulta muitas vezes infecções à população, sobretudo na época da bruma seca.

Quanto às mortes devido a esta doença no país, salientou que houve um aumento durante e após a pandemia da covid-19.

Porque, conforme elucidou, os quadros de pneumonia estão muito relacionados com a infecção do vírus da gripe e da covid-19 que alteram o equilíbrio e a resposta imunológica do pulmão.

A especialista avançou ainda que a pneumonia está entre as cinco primeiras causas do internamento no hospital Central da Praia e que há necessidade de investir mais para prevenir esta doença.

Ofelia Monteiro afirmou que de acordo com os dados da estatística do Ministério da Saúde do ano de 2022, a pneumonia foi a primeira causa da morte por afecções respiratórias e que os homens são mais afectados do que as mulheres.

E que lidera também em mortes por doentes com doenças infeciosas.  

A pneumonia é uma doença infecciosa que afecta os pulmões e pode ser causada por vírus, bactérias ou fungos, por via respiratória através da infecção da gripe.

O Dia Mundial da Pneumonia foi proposto pela Organização Mundial de Saúde (OMS), em 2009, com o objectivo de conscientizar as pessoas sobre a importância da prevenção desta doença, para reduzir as mortes provocadas nos adultos e crianças por esta infecção respiratória.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de 2 milhões de crianças com menos de cinco anos de idade morrem de pneumonia por ano.

 

A Semana com Inforpress

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Comentários

joão do rosário
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