terça-feira, 06 outubro 2026

Sal: Paralisação hiaces no terminal dos Espargos deixa utentes sem alternativa após tentativa de aumento da tarifa

Os condutores de transporte coletivo interurbano de passageiros de hiaces, no terminal dos Espargos, paralisaram hoje as actividades, após a intervenção das autoridades travar o aumento unilateral da tarifa Espargos-Santa Maria-Espargos de 120 para 150 escudos.

"Nós não vamos suportar. Não podemos trabalhar apenas para deixar o dinheiro nos postos de combustível", lançou o condutor, que defendeu a necessidade de se fixar uma tarifa social ou de o Governo suspender temporariamente a taxa de manutenção rodoviária.

O aumento do preço da viagem tinha começado a ser aplicado logo pelas primeiras horas da manhã por vários condutores, justificando a medida com a "subida acentuada do preço dos combustíveis" e o aumento do custo de vida. 

Contudo, na sequência da intervenção da Polícia Municipal para repor a tarifa legalmente fixada, os condutores recusaram-se a circular pelo valor habitual de 120 escudos, desencadeando uma paralisação no terminal.

Em declarações à comunicação social, o condutor Diolandino da Luz argumentou que a classe "não aguenta mais" arcar com as sucessivas altas dos combustíveis e dos impostos, considerando que a receita actual não cobre os custos operacionais do veículo e a manutenção das viaturas.

"Nós não vamos suportar. Não podemos trabalhar apenas para deixar o dinheiro nos postos de combustível", lançou o condutor, que defendeu a necessidade de se fixar uma tarifa social ou de o Governo suspender temporariamente a taxa de manutenção rodoviária.

Na mesma linha, o condutor Jorge Batista lamentou a ação das autoridades policiais no terminal, garantindo que os próprios passageiros estavam a pagar os 150 escudos sem contestação.

"Recebi 150 escudos para vir de Santa Maria sem nenhum problema. O pessoal paga tranquilamente. O problema está só aqui porque a polícia veio intervir. Um hiace faz uma viagem e gasta quase metade da receita em combustível, não vale a pena trabalhar assim", afirmou Jorge Batista.

Por outro lado, a decisão dos condutores de aumentar o bilhete e a subsequente paralisação apanharam os passageiros de surpresa, criando fortes transtornos para quem necessita do transporte para chegar ao posto de trabalho em Santa Maria.

O utente Nelson Cruz compreendeu as dificuldades dos transportadores em relação à alta dos combustíveis, mas lembrou que os salários dos trabalhadores continuam congelados.

Nelson Cruz sugeriu a criação de um sistema de transporte público regulado na ilha, à semelhança do que acontece em São Vicente e em Santiago.

Por sua vez, a utente Ivanilda Ascensão defendeu que qualquer alteração de preços deve respeitar a legalidade e aguardar por uma decisão da Câmara Municipal Sal ou das entidades competentes.

Também o utente Malam Baldé expressou a sua preocupação com o impacto financeiro da medida no orçamento familiar e apelou à intervenção das autoridades locais para resolver o impasse.

"Nós queremos ir trabalhar. Pago 150 escudos para ir e vir e no fim do mês vai uma grande parte do salário. Pedimos à câmara que nos ajude a resolver esta situação", apelou.

A Inforpress contactou o vereador responsável pela área dos Transportes da Câmara Municipal do Sal para obter um esclarecimento sobre o impasse e as medidas previstas pela autarquia, mas até ao momento não foi possível obter uma reação.

 

 

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Comentários

joão do rosário
29 dias atrás 20 horas atrás

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jcf

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joão do rosário
2 dias atrás

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