terça-feira, 29 setembro 2026

Ribeira Brava/295 anos: Ex-governante defende compromisso nacional para preservação do património histórico

 O economista e antigo primeiro-ministro Gualberto do Rosário defendeu  este sábado o envolvimento directo das instituições públicas na salvaguarda e valorização do património histórico da Ribeira Brava, assinalando que a sua preservação constitui um dever nacional.

A posição foi sustentada durante a sua intervenção na mesa-redonda científica “Ribeira Brava, o seu património histórico urbano do século XX”, evento inserido no programa comemorativo do 295.º aniversário da elevação da Ribeira Brava à categoria de vila.

O antigo governante apontou o restauro dos edifícios em adiantado estado de degradação e a substituição do pavimento da zona histórica como prioridades prementes, sublinhando, contudo, que a riqueza patrimonial e a identidade da vila permanecem vivas.

“Há edifícios, alguns que estão em degradação e que precisam ser reabilitados. Alguns, indiscutivelmente, precisam de intervenção pública”, afirmou, acrescentando que também as ruas da zona histórica necessitam de intervenção.

Para Gualberto do Rosário, o pavimento de toda a área histórica da Ribeira Brava deveria ser substituído por uma solução diferente, integrada na valorização do património e na preservação da identidade histórica da vila.

“É um trabalho imenso que há a fazer, mas é um trabalho a favor de Cabo Verde”, salientou.

O antigo governante sublinhou ainda a importância histórica da Ribeira Brava para a formação da identidade cabo-verdiana, destacando o facto de a vila ter sido sede de diocese, durante mais de dois séculos, o Seminário-Liceu, considerado por si um elemento fundamental para o desenvolvimento da cabo-verdianidade.

Na sua perspectiva, foi neste espaço que se desenvolveu, em certa medida, o conhecimento e o gosto pela cultura e pela língua, contribuindo para o surgimento do movimento claridoso.

“Muitos dos Claridosos nasceram aqui. Muitos nasceram na mesma rua, uma rua pequena daqui da vila da Ribeira Brava”, recordou.

Face a este legado, Gualberto do Rosário defendeu que a preservação do património da Ribeira Brava transcende o âmbito autárquico, tratando-se de um dever histórico e público de todo o país. Nesse sentido, apelou a um engajamento directo do Governo, do Instituto do Património Cultural (IPC) e de outras instituições do Estado.

Para o painelista, é necessário promover uma reflexão conjunta e garantir “um compromisso, uma convergência das forças todas, locais, municipais e governamentais”, com vista à consolidação e valorização do património existente.

Gualberto do Rosário considera que uma intervenção articulada poderá permitir que a Ribeira Brava responda às necessidades dos seus moradores e, simultaneamente, se afirme como um espaço de desenvolvimento turístico de qualidade, integrado no contexto da ilha de São Nicolau.

A cidade da Ribeira Brava assinala este ano os 295 anos da sua elevação à categoria de vila, efeméride marcada por um conjunto de actividades culturais, históricas e institucionais.

A Semana com Inforpress

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Comentários

joão do rosário
22 dias atrás 21 horas atrás

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jcf
24 dias atrás 14 horas atrás

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joão do rosário
26 dias atrás 20 horas atrás

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