Maria do Rosário Gonçalves, em conferência de imprensa esta manhã, na Cidade da Praia, indicou que Santiago Norte contabilizou 75.168 eleitores inscritos, 33.397 votantes e 41.771 abstenções.
De acordo com os dados apresentados pela CNE, Santiago Sul ocupa o segundo lugar em abstenção, com 108.407 inscritos, 55.242 votantes e 53.161 abstenções, o equivalente a 49%.
Maria do Rosário Gonçalves defendeu a necessidade de “estudos aprofundados para identificar as causas da elevada taxa” de abstenção, sobretudo em Santiago Norte, sublinhando que a sustentabilidade da democracia depende da participação activa dos cidadãos no processo eleitoral.
“A sustentabilidade do processo democrático só se consegue naturalmente com a participação activa dos cidadãos cabo-verdianos, sobretudo na fase de escolha daqueles que vão governar o país”, afirmou.
A presidente da CNE recordou ainda que Cabo Verde tem vindo a registar um agravamento da taxa de abstenção desde 2016.
Conforme explicou, entre 2016 e 2021 verificou-se uma diminuição de 3,11%, enquanto de 2021 para 2026 a tendência aponta para uma variação negativa de 16,91%.
Para a responsável, além das chamadas “abstenções administrativas”, é necessário identificar e trabalhar as razões que afastam os cidadãos das urnas, promovendo maior participação no processo eleitoral.
Maria do Rosário Gonçalves admitiu que o clima de estabilidade democrática e de liberdade vivido no país possa gerar algum conformismo entre os cidadãos, defendendo, no entanto, que “em democracia nada está adquirido”.
Nesse sentido, apelou a um trabalho conjunto envolvendo universidades, partidos políticos e administração eleitoral, visando despertar maior interesse e participação dos cabo-verdianos nas eleições.
A presidente da CNE considerou ainda que a modernização do processo eleitoral poderá contribuir para aproximar os cidadãos das urnas, com a introdução de novas formas de votação, incluindo através da internet.
Segundo afirmou, a próxima legislatura poderá criar condições para analisar a proposta de revisão da lei eleitoral já pendente na Assembleia Nacional, com vista à adopção de um quadro legal mais moderno e ajustado à dinâmica da sociedade cabo-verdiana.
“É importante que a legislação eleitoral acompanhe as mudanças da sociedade cabo-verdiana na forma de viver a política e o processo eleitoral”, concluiu.
A Semana com Inforpress







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