Thursday, 11 June 2026

A estreia de um sonho: Tubarões Azuis prontos para o Mundial de Futebol

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Arranca esta quinta-feira, 11 de Junho, o Campeonato do Mundo de futebol e Cabo Verde está prestes a viver um dos momentos mais marcantes da história desportiva. Pela primeira vez, os Tubarões Azuis vão disputar a maior competição do futebol mundial, que decorre nos Estados Unidos, Canadá e México até 19 de Julho. O seleccionador do Tubarões Azuis, Bubista, fala do orgulho de representar o país e da resiliência do povo cabo-verdiano.

Somos um povo apaixonado pelo futebol. Os cabo-verdianos, tanto nas ilhas como na diáspora, estão muito satisfeitos com esta conquista. É um sentimento de enorme orgulho por tudo o que alcançámos e por todos os jogadores que acreditaram neste projecto desde o início.

 

Qual é o sentimento de Cabo Verde após esta qualificação para o Mundial?

- É o sentimento de muito orgulho e muita emoção. Esta qualificação representa muito para o nosso povo. Costumo dizer que somos um país pequeno, em termos geográficos, mas com muita dignidade, muito trabalho e uma enorme capacidade de resiliência. Esta presença no Mundial faz com que o mundo inteiro olhe para Cabo Verde e reconheça a nossa força. 

Somos um povo apaixonado pelo futebol. Os cabo-verdianos, tanto nas ilhas como na diáspora, estão muito satisfeitos com esta conquista. É um sentimento de enorme orgulho por tudo o que alcançámos e por todos os jogadores que acreditaram neste projecto desde o início.

 

Os jogadores estão preparados para este desafio?

- Têm de estar preparados. Quando falamos com eles, sentimos que querem contribuir para que Cabo Verde seja cada vez mais conhecido no mundo. Querem fazê-lo com dignidade, profissionalismo e espírito de fraternidade.

- Como está a ser feita a preparação da equipa? Que exigências serão colocadas aos jogadores?

As exigências serão naturalmente de alto nível. Vamos enfrentar adversários de grande dimensão no panorama mundial do futebol. Por isso, temos de fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para que a nossa equipa represente Cabo Verde com dignidade.Não teremos medo. Sabemos que existem diferenças significativas entre as selecções, mas queremos ser uma equipa organizada e disciplinada, capaz de minimizar essas diferenças através do trabalho colectivo.

 

Vão defrontar a Espanha, uma selecção muito forte e que já foi campeã do mundo. É um adversário que impõe respeito?

- Sem dúvida. Todas as equipas do nosso grupo são muito fortes. O Uruguai também já foi campeão do mundo. A Arábia Saudita é campeã asiática e tem investido bastante no desenvolvimento do futebol.

Cabe-nos fazer a nossa parte: sermos organizados tacticamente, disciplinados e competitivos. Também temos as nossas armas. Procuraremos ser fortes mentalmente para enfrentar as dificuldades que os jogos certamente nos colocarão. Vamos defrontar todos os adversários com dignidade, confiança e sem medo.

 

O facto de Cabo Verde participar no Mundial poderá fazer com que os jovens cabo-verdianos se interessem ainda mais pelo futebol?

- Esse interesse já existe, sobretudo entre os nossos jovens e entre os filhos dos emigrantes que nasceram fora do país e que estão muito entusiasmados com esta qualificação.

Naturalmente, estar no Mundial aumenta ainda mais esse entusiasmo. Os jovens percebem que existe a possibilidade de chegar aos maiores palcos do futebol mundial. Foi a união do nosso povo que nos permitiu atingir este nível. Ver a nossa bandeira ao lado das maiores potências do futebol mundial não tem preço.

Esta qualificação é muito mais do que futebol. Tem um significado especial para o nosso país. Hoje, muitos jovens sonham representar a selecção nacional e isso é algo de enorme valor.

 

Quando se fala de ídolos do futebol, fala-se muitas vezes de Messi ou Cristiano Ronaldo. A presença de Cabo Verde no Mundial poderá fazer com que os Tubarões Azuis também se tornem ídolos das crianças?

- Já o são. Em Cabo Verde, os nossos jogadores já são ídolos para muitas crianças. É frequente ouvi-las falar dos nossos atletas nas ruas.

Actualmente, os nossos jogadores são cada vez mais conhecidos e valorizados a nível internacional. Como já referi, esta qualificação ultrapassa a dimensão desportiva. Tem impacto nas nossas comunidades espalhadas pelo mundo. Somos um país de emigrantes e as nossas comunidades sentem orgulho naquilo que temos conseguido alcançar.

Tudo isto traz benefícios para Cabo Verde. Dá visibilidade ao país e aumenta o respeito das outras selecções e dos outros países pela nossa realidade e pelo nosso futebol.

 

Acha que esta participação no Mundial poderá incentivar as autoridades a investirem mais no futebol e nas infra-estruturas desportivas?

- Tem de haver mais investimento no desporto. O futebol tem demonstrado o seu valor, mas não é o único exemplo. Outras modalidades também têm realizado um trabalho extraordinário. Temos campeões do mundo em modalidades individuais. O basquetebol já esteve presente em Campeonatos do Mundo.

Para um país tão pequeno alcançar tudo isto, é importante que exista uma resposta adequada. A nossa comunidade desportiva merece e necessita de mais apoio e de melhores infra-estruturas.

Os nossos atletas precisam de sentir que contam com o apoio do Estado e das instituições. Temos talento em todas as modalidades e capacidade para alcançar resultados de destaque a nível mundial. Precisamos apenas de criar melhores condições para que esse talento possa florescer.

 

O que espera da participação de Cabo Verde no Mundial?

- Respeitamos todos os nossos adversários e também queremos ser respeitados. O mais importante é mantermos a nossa organização, a nossa disciplina e, sobretudo, a nossa força mental.

Temos ambição e vontade de fazer coisas boas. A equipa técnica e os jogadores estão muito entusiasmados por participarem num Mundial. Vamos competir com dignidade, mas acreditamos que podemos alcançar resultados positivos.

 

Que mensagem gostaria de deixar aos cabo-verdianos?

Peço que continuem a acreditar na selecção, a apoiá-la e, acima de tudo, a manter a união que sempre nos caracterizou. Uma das coisas mais bonitas desta qualificação foi precisamente a união do nosso povo, dentro e fora do país. Por isso, peço confiança e que desfrutem deste Mundial.

Da nossa parte, faremos tudo para que os cabo-verdianos se sintam orgulhosos da forma como representaremos o país nesta competição.

 

A Semana com RFI

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