Thursday, 11 June 2026

Depois de oirado idílio apenas tombo

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 Sempre eivados de diabólica má fé, tiraram-me tudo os corruptos vadios da Jubilàndia, Tocaram até no meu cinto de segurança e de salvaguarda da cidadania. De seguida, decidiram chamar-me ex, um extra neus, mesmo antes de abandonar o meu ofício. A título de exemplo, o meu prezado salvo-conduto já não exibe, nem chip de despertar, nem selo de garantia. Este rapaz da Ribeira de Candura e Milho Pula não ostenta absolutamente nígua do que seja sinal de público poder. Nem pingo, nem resquício. Hoje, depois das minhas frenéticas errâncias por terras lusas, por Franças e Araganças, em desprendidas incursões em hostes de Renânias e Redânias, acabo de enxergar o quanto andei lascado e torriscado numa bolha de ilusão. Hoje, sou sujeito a uma dupla relação de bastardia com dois Estados. O que me devia proteger, lavou as mãos, mui ao estilo de Pilatos, e entregou-me ao acaso da minha sorte.

Por Domingos Landim de Barros*

Brotam do rochedo da leda estância e do perene chão rosado, águas termais e limpas, fluídas e benzidas, pelo sopro de deus-pai, com oásis e lagoas no meio do vau. Corre o resto de benquista emanação e passa pelo istmo-prodígio da minha aldeia, em direção ao cobiçado mar de Enseada. Depois, desemboca na Casa Velha de recreio de todas as coevas meninices. E eu, um guri de implume construtura, ambicioso de letra grande, ao lado de cascata da bela herdade da minha infância, um aspirante ao estatuto de polímata Averróis, o vulto de maior enzima intelectiva e protuberância cultural do tempo dele. A tremular de rejubilo, a minha pele um recetor de fervilhantes sentimentos maravilhosos. Bem, isto são éclogas - migalhas e relíquias do passado. Nem tinha presciência para antecipar o cataclismo e contornar os seus efeitos.

Hoje, algo chateado e assaz amuado, sou filho inominado de terra alguma. Um zarolho amaldiçoado, como me apodam os tartufos, os depravados rufiões e valdevinos da politeia. Nem do alto, bálsamo estelar, nem de baixo de plutónica fundura, líquido escorrendo. Do Ribeiro Montanhês de Nhô Nené, nem ondulante tonalidade de verdejante coloração, nem pinta nem fulgor. Está tudo murcho e adulterado, inerte e mal-amado. Da horta de sequeiro no cimo da Limeira de nitente expetativa e de mirífico esplendor, apenas cinza e sombra agora. Nem garbosa vista avulsa, nem enchido sinal de brinde, nem sequer na anciã Varanda Verde da minha igreja. Talvez, ainda exista um tanto de iguaria no enlevo dos Mosteiros da linda Hespéria. Pelo contrário, chove sessão de pragas e lágrimas sangrentas no mimoseado alegrete do meu avô.

Sempre eivados de diabólica má fé, tiraram-me tudo os corruptos vadios da Jubilàndia, Tocaram até no meu cinto de segurança e de salvaguarda da cidadania. De seguida, decidiram chamar-me ex, um extra neus, mesmo antes de abandonar o meu ofício. A título de exemplo, o meu prezado salvo-conduto já não exibe, nem chip de despertar, nem selo de garantia. Este rapaz da Ribeira de Candura e Milho Pula não ostenta absolutamente nígua do que seja sinal de público poder. Nem pingo, nem resquício. Hoje, depois das minhas frenéticas errâncias por terras lusas, por Franças e Araganças, em desprendidas incursões em hostes de Renânias e Redânias, acabo de enxergar o quanto andei lascado e torriscado numa bolha de ilusão. Hoje, sou sujeito a uma dupla relação de bastardia com dois Estados. O que me devia proteger, lavou as mãos, mui ao estilo de Pilatos, e entregou-me ao acaso da minha sorte.

Quer dizer, não sou só eu o infeliz, mas e sim o grupo de párias e renegados. Agora só falta nos deportar. Sofro do leviano disparate e da iniquidade de terra oriunda e outra no meu poiso de adoção. Ninguém me quer na lide de insofismável comida de olho. Ainda assim, há vagares intermitentes e searas de euforia semeados na casca da minha mente, de nativo adventício e de transata leve esfera, que moldam, com frescura de cicatriz, a linhagem da minha gente e raiz do meu instinto, consolam-me e comovem: o sonho do Seminário da anciã cidade-estado da pujante Ribeira Grande da minha ilha, com sol erguido cheio de aprumo no radioso firmamento, defronte do miradouro Cutelo Alto e da Enseada do Levante, a incidir na inesquecível Pousada de Eutimia da minha tribo.

Mais tarde, o sacrossanto Seminário São José, nos arredores de profícua e rica minha urbe, os ecos de Coimbra e Salamanca, com ávida miragem na aragem de Sorbonne e Aix-en-Provence, bem como Cambridge e Harvard. Sem esquecer do antanho a exponencial e diletante mamãe-África, com seu colossal e doirado berço-Quénia, amparo de eleição da primeva leva do ser humano. Depois, Akhenaton, o impulsivo inovador, e a sua Amarna de ousadia, a par da esposa e deliciosa Nefertiti, ungida com precioso odor de ninfa, com seu alucinante e próspero pressinto. Na travessia de longa viagem, após exílio, surge a contagiante e convicta Zacimba de Cabinda, da corte de radiante estrela-Vega e de adorável lusofonia, com a sua pungente audácia mirabolante.

Na sequência de excelso augúrio, emerge a gigantesca e lendária figura-leme da minha crença, Agostinho de Hipona e de Numídia, o núncio de Roma e auroral estroso santo da cristandade, no pujante e refulgente continente, com adiante a lâmpada de Fhez, a mais vetusta academia do planisfério, para franquear com loas e dar alçada ao medievo celeiro mouro. À época reinava o magnânimo sapiente de Córdoba pulsante, o exegeta de vanguarda, na arena de lancinante e múltipla façanha.  Tudo com arrufos de suor no rosto e sonante pranto ao peito, num ambiente de atritos e de dantescas arengas e pelejas correlativas. Adiciona-se às plúrimas virtudes do fabuloso cosmo em liça a apoteótica passagem sazonal de um Avicena, o entusiasmado itinerante e azimute de referência, o mágico tritão, satisfeito e municiado da legis arts, para cura de insistente e claudicante fisiologia.

Na mesma senda de vibrante e salutar contexto de épica façanha de espirituosa fidalguia, aparece a prodigiosa Cleópatra Cilene de Tingitana Mauritânia. Seguida do tolerante e abastado Mansa Musa, com todo o seu fardo de dinheiro e sua escolta de donzelas, qual Khadafi da recém hodiernidade, em extravagante expedição pela Meca e pela Caaba, espalhando parvos ao redor e ouro ao longo da sua hégira de fé, a partir do magnífico santuário cultural e religioso Tombuctu. E com luxuoso acervo de inexcedíveis nomes da Ciência, da Cultura e Teologia.  Ah inaugural Vale do Nilo! Ah José do Egipto e fatal golpe de vidência! Bom, essa foi a fase do saber, da magia e da prudência, do veemente temor a Deus, do valioso savoir-faire e de altruísmo em prol do outro.

Contudo, havia enxame com ameaça de surdinas e sinuosos crocodilos, estendidos e sisudos no cálido de areia da dupla margem, em meio a uma nimbada e santa cruz na testa dos temerosos, para afugentar os infaustos e belicosos predadores. Pois, a natureza da vida humana nunca foi de inteira boa feição para fracos e pecadores. Num devir algo distante, despontaria na zona da nossa natural integração a rigorosa Minerva de inquietação e sabatina, no retinto continente, de invocação Cheik Anta Diop. Há lendas e prerrogativas inenarráveis da minha Abássia, que não deviam ser evaporados do nédio espaço, como Joseph Ki-Zerbo da nova História, Cheik Anta Diop, o patrono da sage e supradita academia do mesmo nome, como o ideólogo cirúrgico e certeiro, Amílcar Lopes Cabral, o ‘simples africano’ do resgate da sacra identidade do nédio e forte povo negro, com bater palmas e alvíssaras ao alto da minha parte.

De reflexão em reflexão, este ano vai morrer, como todos os outros morreram sempre. Se a inexpugnável e arrevesada horda de rafeiros e delatores, fazendo de desajeitados cicerones à corte de coisa ruim, para dar suporte psicológico ao ego de maltrapilhos e intratáveis fidalgotes, os radicais, sicofantas e neofascistas, todos juntos, são nauseabundos seres do pleito de péssimo prenúncio. Se não for tolhida ainda a tempo a sua múltipla faceta de expansão, com a propagação do lixo ao mais abominável e alto nível, o cosmo pode não ter razão para sorrir e entoar o hino de liberdade. A toada melodiosa da música e poesia ajuda mui a ter decência no fundo de imo, mas, como diria um Lente de outras paragens, o nobre ideal, a escansão e a justeza da métrica e da rima, antecedidas de soberana proclamação, se não forem acompanhados de ação concreta e de boa fé, acabam no ralo de cretinices ou em águas de bacalhau.

Deixam em terra os sonantes versos alados, tornando-os inoperantes e inidóneos para levar a bianda de merenda ao lume de desejada panela diária. As homenagens rítmicas não foram concebidas para bastar a pança de esganados vigaristas, ordinários sibaritas e corifeus. Espreita-nos uma data de infindáveis fomes rocambolescas e assaz inebriadas. Ao invés de acudir ao apelo de carência de indistinta alma sofrida e sua falta de vontade correlativa, em colaborar com os energúmenos de estrume e de entourage, os voluntários cafetões, dispondo-se ao concurso de acesso às catacumbas, deviam arrepiar caminho e virar a página da história. Elevam-se sumptuosas armaduras, que o tempo não demora a corroer, a consumir e a destruir.

Endeusam-se embustes e fantasmas de pés de pluma e da era do tráfico negreiro, no lugar de combatentes da nossa causa ou das famílias, salivando por mantimento, sobretudo as desguarnecidas mães solteiras e de parco rendimento. Esquecem-se os mandões e tristonhos vermes da sombra e da comarca, por incúria, amnésia ou por questão de fingimento, com a maior das brevidades e com banal assiduidade, que a vida é escasso traço entre duas datas, como diria o carismático pintor português, Júlio Pomar. Pois, no mais recente alçar de púlpito de loucos ao deus da fantasia, devia haver espaço para santuário do batuco e do crioulo, da tabanca e outros ritos cantantes e ancestrais, sobejamente milenares deste trincho de sol e vento. Entra-se, infelizmente, numa saga de vaidade e de bazófia, para não falar de esbanjamento de manifesta futilidade, só por causa da birra e do capricho de marcar um espúrio e disputado território, como se os algozes e carrascos da cultura e tradição desta faísca de insula perdida no meio das trevas fossem felinos esfomeados e com dentes afiados para afogar e sufocar a própria identidade.

Are autofagia! Umas maniazecas grandiloquentes de escuros e tontos da província, não tendo nenhuma correlação efetiva com a genuína matriz do nosso povo. Assim, para lá do mito em torno do monstro de basalto, do aço e do betão, falta edificar o monumento atemporal da primitiva e precursora gesta da mestiçagem no universo, ocorrida aqui no trópico ou Bósforo de enigmáticas venturas. Viver para ser feliz, no ameno chão de Hespéria, não é viver para se dar gratuitamente à estonteante aclamação de balofa fantasia. Há gente que come mal neste rincão e algures algumas reses valendo dobro do cidadão. Existem ainda revisionistas imbecis, estonteados párias aluados e abutres de opção, que, dando uma no cravo e outra na ferradura, usurpam e defraudem a vontade popular, desvirtuando a dádiva inicial.

Pisam qual escória na sarjeta a vida modesta e recatada dos seus patrícios e forasteiros. Há também bastante maledicência na arte de desarticular a convivência entre os nativos da mesma seara coletiva. Tantas intrigas, mentiras e calúnias por efémeros carguitos de porcaria. Sim, quando a ação humana não ajuda a melhorar a periclitante situação dos outros homens, não vale absolutamente nada. Só serve para ensaboar o juízo dos precatados e laboriosos. Dá enjoo e cria um sentimento de total insegurança, ao constatar no mundo de hoje, com descomunal perplexidade e natural repugnância, a onda de barganha com férrea vontade de se impor a qualquer preço.

Parece inspirar no outro a legitimidade de fugir e morrer mais cedo. É o tosco impulso do chefão e o músculo da força a determinar quem deve sobreviver ou perecer, por exemplo, na relação entre Estados adultos e soberanos. Cade Declaraçao Universal dos Direitos Humanos?  Cade a teia do Direito Internacional? No fundo, é puro gosto dos pusilânimes de esterco, de enfeite e leve pluma no caráter a urdir patranhas e diatribes, para massacrar uns, por um lado, e adoção calculista de outros, com dissimulada generosidade, para obsequiar os favoritos, mormente vassalos e submissos, e afastar outros da manjedoura dos infartáveis comensais. A ideia é empurrar os sediciosos para longe da roda de bacantes, folguedos e festanças.

Essa gentalha devia ter binóculos para ver o quanto faz de absurdo e puro mimetismo, sempre à custa da magra tença coletiva. Enquanto isso, cilindrar os inocentes e limpos de coração passou a ser a palavra de ordem mais ouvida no principado. Alguns lacaios e jagunços da extrema feição falam disso abertamente. Por causa desta sina, gasta-se imenso tempo e rios de tinta e de dinheiro a dar combate aos fantasmas conotados com resistentes e, por ventura, inutilmente verticais, embora com longa ficha de eminente serviço público, a favor das comunidades, mas sem louro e sem glória.  Gente de ampla e reconhecida honra por aqueles que com olhos na dianteira da cabeça e fina capacidade de observar as insupríveis vilanias.

A tresloucada e simplória corja de ilusórios figurões e rastaqueras, sob a toga de pretensa modernidade, só amanha semente de discórdia a pôr no reino. Uma vez, com bom senso incorporado no miolo da cachimónia, batia-se por um ideal, em renhidos recontros no campo de batalha. Lavar a honra do próprio e do semelhante era uma empreitada e fervorosa iniciativa. No fim, falava-se do feito, com vivacidade, chama nos olhos e mel no peito esquerdo, com mui garbo e cheio orgulho. Participar em redanhas de quintessente categoria constituía um anseio de qualquer varão honesto, para resgatar a dignidade do clã, da parceira ou da ninhada.  

Hoje, combate-se por esbirro de ímpios e gulosos sacripantas, por impulsiva e desgraçada falsidade, por bagatela e por toda a espécie de boçalidade. Existe uma gritante falta de humildade neste antro de piratas, como pão a por na boca. Pois, a trincheira de indolentes e distraídos folgazões, com auxílio dos seus aluados capangas ao serviço, com a súcia de inconfessáveis satanases à mistura, está perdida. Tudo, numa lógica subversiva da projeção do lodo ao orbe. E isto é tão macabro, feio e ultrajante, sobretudo, quando provindo do maior padrasto de bastardia e falso paladino da liberdade e democracia, o lobo do petróleo e outros quejandos.

Questionar e pôr em causa, ao estilo de horripilante cartomante, a posse de umas metralhadoras ou de um mero charro de devaneio, a contendo de um Estado independente e soberano, já arrepia, enjoa e tira fôlego de graça a quem assiste ao reiterado, macabro, reciclado e mísero espetáculo do circo de crápulas idiotas e hodiernos transumantes.  Os polichinelos e bimbos deambulantes de circunstância, os insaciáveis do tutano, do suor e couro alheios, com o beneplácito de uns coiotes e incautos kuribotas associados, acham piada a tudo isto. Que oca e estapafúrdia propaganda, bacoca e falaciosa, para insipientes cachorros registados em nome doutrem e flácidos tanás?

Falta haver aqui um majestoso de consciência, João de Barros, um inigualável de caráter, o ingente Manuel Fernandes Tomás da Lusitânia, um incansável e dedicado à causa pública, Mauzinho da Silveira, um destemido Aristides de Sousa Mendes, um destacado maioral da estirpe de Manuel Mascarenhas Monteiro, um probo cidadão do calibre de Olívio Pires ou um místico Madiba do continente. É bom não olvidar que agora são os outros e amanhã seremos nós. Basta que o falcão peregrino, de aduncado e sujo bico, em incansável voo interesseiro, foque das suas soberanas altitudes e tome por petisco apetitoso a nossa paradisíaca Santa Luzia. Pois, a gana de um poder esmagador não tem açaime.

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*Nas vestes de anacrónico templário

Rocha Pereira
lol
Em nome do sr esse homem e mesmo o que Cabo Verde não merece por que se verdade mesmo por que são filhos do coitado pobre cabo verdiano não da para nada, Ha democracia e liberdade são as realidade mais sim não na nossa terra>?
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