Thursday, 11 June 2026

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"Pressões externas" desafiam projetos de infraestruturas lusófonas - relatório

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Um relatório publicado hoje por entidades estatais chinesas alerta que, apesar da resiliência demonstrada em 2026, os países de língua portuguesa enfrentam "fortes pressões externas" que condicionam o ritmo de desenvolvimento das suas infraestruturas.

Os dados constam de um relatório anual que avalia o estado e as perspetivas do desenvolvimento de infraestruturas nos nove países de língua portuguesa e os progressos de Macau na cooperação no âmbito da Iniciativa "Uma Faixa, Uma Rota" (BRI, na sigla em inglês), publicado hoje durante a abertura do 17.º Fórum e Exposição Internacional sobre o Investimento e Construção de Infraestruturas (17.º IIICF), organizado em Macau.

Segundo o documento, o setor da construção e infraestruturas tem sido afetado por "políticas monetárias divergentes", que aumentam a incerteza nos custos de financiamento, por "ajustes no comércio internacional que alteram a procura de projetos", e por uma "crescente volatilidade geopolítica que eleva os riscos de investimento".

Além disso, a dívida soberana elevada em alguns países e a lentidão das reformas estruturais têm reduzido a eficiência e a atratividade dos mercados locais.

"Com fatores favoráveis e constrangimentos a interagir, a indústria de infraestruturas nos PLP [países de língua portuguesa] manteve-se globalmente estável", assinala o relatório.

O relatório foi elaborado pela Associação Chinesa de Empreiteiros Internacionais - a única organização nacional chinesa dedicada ao setor da construção internacional - e pela seguradora estatal Sinosure.

O estudo mede o desempenho através de quatro dimensões centrais: ambiente de desenvolvimento, procura, dinâmica de investimento e custos, com base em 15 indicadores secundários e 43 indicadores básicos.

Apesar destas pressões, o relatório aponta que o Índice de Desenvolvimento das Infraestruturas (IDI) nestes países se manteve estável em 126 pontos em 2026.

O Brasil reforçou a liderança com 129 pontos, apoiado pelo "Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC)", um plano de investimentos do Governo Federal brasileiro, lançado em 2023, focado em infraestrutura, industrialização e desenvolvimento sustentável, e por reformas fiscais.

"O Novo PAC tem sido plenamente implementado e avançado, libertando uma procura sustentada em setores como energia e transportes", refere o estudo.

"A procura rígida por transportes, energia e serviços públicos manteve-se sólida", assinala o documento, acrescentando que a cooperação prática entre a China e os países lusófonos aprofundou-se, com novos projetos em energia verde e infraestruturas digitais.

Moçambique subiu para o segundo lugar com 118 pontos, beneficiando de projetos energéticos apoiados por instituições financeiras multilaterais, aponta ainda o relatório.

"As vantagens em recursos energéticos impulsionaram a rápida implementação de projetos de eletricidade", assinala-se.

Angola, por sua vez, desceu ligeiramente para 115 pontos, penalizada por "flutuações cambiais, custos de importação crescentes e constrangimentos fiscais". Apesar disso, mantém uma base sólida em setores tradicionais como transportes e construção.

A Guiné Equatorial manteve-se em quarto lugar (113 pontos), Portugal em quinto (111), Timor-Leste em sexto (108), Cabo Verde caiu para sétimo (104), seguido pela Guiné-Bissau (102) e São Tomé e Príncipe (101).

O relatório destaca ainda que Macau tem desempenhado um "papel ativo na financiamento multilateral", apoiando projetos de energia verde, transportes e digitalização nos países lusófonos.

A Semana com Notícias ao Minuto/Lusa

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