Em Angola, as autoridades sanitárias intensificam as medidas de vigilância e prevenção contra o Ébola, sobretudo nas regiões fronteiriças com a República Democrática do Congo, devido ao índice de mortes provocado pela epidemia. A 23 de Maio, a agência de saúde Africa CDC alertou que Angola está entre os dez países africanos que correm o risco de ser afetados pelo vírus Ébola, além da RDC, epicentro da epidemia, e do Uganda.
As principais províncias de Angola que fazem fronteira com a República Democrática do Congo estão em alerta máximo devido ao Ébola, revela a RFI. Até esta quinta-feira, um total de 238 mortes suspeitas foram registadas, de acordo com o boletim publicado pelo Ministério da Comunicação da RDC, que refere também que já se acumulam "1.077 casos suspeitos". Com base em testes laboratoriais, o departamento informou que existem 17 mortes e 121 casos "confirmados". Já a Organização Mundial de Saúde, informou haver 906 casos suspeitos, incluindo 223 mortes. Em 295 amostras analisadas, foram confirmados 105 casos, incluindo dez mortes.
Na sexta-feira, a OMS, prossegue a mesma fonte, elevou de "alto" para "muito alto" o risco decorrente do surto na RDC e no Uganda, enquanto o risco continua "alto" ao nível da região da África Subsariana e "baixo" à escala global. Dez países africanos, entre os quais Angola, encontram-se em "alto risco" de ser afectados pela epidemia por partilharem fronteira com a RDC e o Uganda.
Na Lunda Norte, o director da Saúde Pública da Direcção Provincial da Saúde, Heitor Andrade, assegura que as autoridades reforçaram as medidas de segurança na fronteira com a RDC para evitar a possível entrada de casos do vírus.
“Já temos um plano de contingência, esse plano de contingência foi actualizado pelo Ministério da Saúde. A princípio, nós, Lunda Norte, já fizemos um levantamento de tudo aquilo que é biossegurança, de tudo aquilo que é equipamento de proteção individual, que nós chamamos de EPI (Equipamento de Protecção Individual), e colocamos nos nossos municípios fronteiriços”, declarou Heitor Andrade.
“Cabinda não tem registo de casos de ébola, mas todas as medidas estão sendo já ajuizadas. Teremos um plano formativo onde vamos integrar não só o sector público da saúde, mas também o subsistema privado, as unidades sanitárias privadas, assim como o subsistema especial. Estamos a falar de serviços de saúde das Forças Armadas, serviços de saúde do Ministério do Interior. Juntos trabalharmos para o controlo da situação”, disse o médico.
Angola tem uma extensão territorial de 1.246.700 quilómetros quadrados e partilha 2.511 km de fronteira com a República Democrática do Congo, interligando as províncias de Cabinda, Zaire, Uíge, Malanje e Lunda Norte, em como Moxico e Moxico Leste.
Conforme a fonte referida, na quinta-feira, as autoridades do Uganda anunciaram o encerramento temporário da sua fronteira com a RDCongo para travar a propagação do surto de cólera que se regista no país vizinho desde 15 de Maio. No dia 17 de Maio, a Organização Mundial da Saúde declarou o surto como Emergência de Saúde Pública de Interesse Internacional.
Esta epidemia é complexa devido à falta de vacinas e tratamentos aprovados para esta estirpe Bundibugyo do Ébola, cuja taxa de letalidade varia entre 30% e 50%, segundo a OMS.
Este é a 17.ª epidemia de Ébola registada na RDC desde que o vírus foi detectado pela primeira vez em 1976. Desde então, o país é regularmente afectado por surtos e epidemias do vírus Ébola, que se transmite através do contacto direto com sangue ou outros fluidos corporais de pessoas ou animais infectados e provoca febre hemorrágica grave, dores musculares, fraqueza, dores de cabeça, irritação da garganta, febre, vómitos, diarreia e hemorragias internas.







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