O primeiro-ministro de Portugal acusou hoje os Estados Unidos de incoerência ao fazerem um acordo sobre o gasóleo com a Rússia e afirmou que não vai ter “nenhuma consequência positiva” a nível de preços ou da guerra na Ucrânia.
Na visão do primeiro-ministro, o acordo com a Rússia “não vai resolver o problema do preço dos combustíveis”.
Luís Montenegro considerou o acordo entre o presidente norte-americano, Donald Trump, e o homólogo russo, Vladimir Putin, incoerente e inconsequente.
“Aquilo que foi anunciado pelos Estados Unidos, do nosso ponto de vista não corresponde a um exercício consequente e coerente da resolução desta matéria”, afirmou o chefe do Governo em Bruxelas, à margem de uma cimeira para debater a subida dos preços da energia.
Donald Trump anunciou na semana passada que a Rússia aceitou fornecer 300 mil toneladas de diesel aos EUA e aos mercados internacionais, assim como quantidades superiores até ao final do ano.
Na visão do primeiro-ministro, o acordo com a Rússia “não vai resolver o problema do preço dos combustíveis”.
“Não resolve o assunto por mais de escassos dias e, portanto, não é consequente”, insistiu, acrescentando que “não é uma resolução do problema que temos diante de nós”.
“E também não é coerente, porque dá um sinal errado relativamente ao apoio da agressão da Rússia face à Ucrânia”, alertou.
O primeiro-ministro disse ainda que tem feito apelos de viva voz no seio das organizações nas quais Portugal se encontra no sentido de “uma intervenção que seja, do ponto de vista diplomático, eficaz para suster este aumento do preço dos combustíveis que é absurdo, é insensato”.
“Atinge todos, estamos todos a sofrer”, disse aos jornalistas. E “esta novidade não traz nenhuma consequência positiva”, acrescentou, referindo-se ao acordo entre Trump e Putin.
Luís Montenegro frisou que “o Governo português tem vindo a estabelecer diálogo com os seus parceiros da União Europeia e também com os seus aliados, como é o caso dos Estados Unidos” no sentido de colocar como prioridade “a resolução diplomática do conflito no Médio Oriente”.
Isso que permitirá “estabilizar o mercado do petróleo a nível internacional”, defendeu.
Questionado sobre medidas concretas que espera que saiam desta cimeira em Bruxelas, o primeiro-ministro declarou que “este Conselho pode densificar a discussão de como é que nós, do ponto de vista económico, podemos defender o nosso mercado interno, uniformizando a resposta e conciliando-a também do ponto de vista financeiro”.
É também necessária “uma abordagem estratégica”, e aí “Portugal é muito claro”: a Europa “não pode ter dúvidas quanto ao caminho de autonomização, da sua área energética, nomeadamente fazendo depender as suas economias cada vez menos dos combustíveis fósseis e cada vez mais das energias renováveis”, defendeu.
O Presidente russo, Vladimir Putin, ordenou esta quarta-feira o reforço imediato dos mecanismos de segurança digital do país, considerando que as ameaças informáticas contra a economia russa atingiram "um novo nível".
Em uma reunião sobre cibersegurança realizada no Kremlin, Putin vinculou esse aumento do risco tanto à guerra da Ucrânia quanto ao avanço da digitalização. Em conjunto, advertiu, representam um perigo para "a logística, o transporte, os serviços sociais, os sistemas de suporte vital e a administração pública".
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, ordenou esta quarta-feira a todos os organismos envolvidos que reforcem de maneira imediata as defesas de segurança digital do país, ao considerar que as ameaças informáticas que enfrenta a economia russa alcançaram "um novo nível" nos últimos tempos.
Em uma reunião sobre cibersegurança realizada no Kremlin, Putin vinculou esse aumento do risco tanto à guerra da Ucrânia quanto ao avanço da digitalização. Em conjunto, advertiu, representam um perigo para "a logística, o transporte, os serviços sociais, os sistemas de suporte vital e a administração pública".
O encontro ocorreu após a recente onda de ataques lançados pela Ucrânia contra centros de dados do gigante tecnológico russo Yandex, com um impacto tal que o porta-voz do Kremlin, Dimitri Peskov, admitiu esta terça-feira que a empresa enfrentava "dificuldades"que, confiou, poderia superar por seus próprios meios.
Durante a sessão, Putin ressaltou a urgência de reforçar "todos os componentes do sistema nacional de segurança digital" e as "ferramentas para uma resposta rápida aos ciberataques", além de "aumentar a coordenação entre os organismos encarregados de fazer cumprir a lei e os serviços de inteligência com os operadores de telecomunicações, as instituições financeiras, as empresas de internet e outras entidades".
Na reunião participou o conselheiro delegado do Sberbank, Herman Gref, enquanto a maior entidade financeira do país confirmava um novo ataque ucraniano contra um de seus centros de dados situados na região de Saratov.
O vice-presidente do conselho de administração do banco, Alexander Vediakhin, indicou à agência Interfax que, apesar do incidente, todos os sistemas do banco operam "com normalidade" e não foram registradas vítimas.
O Conselho da UE concordou em abrir mais dois "clusters" de adesão com a Ucrânia, após a Hungria ter levantado o seu veto, elevando assim o número total de "clusters" abertos para quatro em seis.
A decisão surge na sequência de umacordo sobre os direitos da minoria étnica húngara na Ucrânia, uma exigência de longa data de Budapeste.
Este avanço, a par da abertura de dois blocos temáticos adicionais sobre a adesão, poderá abrir caminho para uma primeira reunião bilateral entre o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy e o primeiro-ministro húngaro Péter Magyar, em Bruxelas, esta semana, o que poderá marcar um ponto de viragem nas relações entre os dois países vizinhos.
Diplomatas húngaros e ucranianos estão a trabalhar para organizar a reunião, que poderá ter lugar à margem da cimeira da UE, segundo fontes consultadas pela Euronews. No entanto, ainda não foi definida qualquer data e o encontro ainda não foi oficialmente confirmado.
Magyar também levantou a possibilidade de se encontrar com Zelenskyy numa entrevista aos meios de comunicação social no fim de semana passado.
A Hungria tem criticado as leis ucranianas relativas à educação e à língua desde que foram aprovadas em 2015 e 2017, respetivamente, uma vez que estas restringiam a utilização de línguas minoritárias nas escolas. O diferendo desencadeou repetidas tensões diplomáticas, tendo Budapeste, sob a liderança de Viktor Orbán, bloqueado o processo de adesão da Ucrânia à UE.
Desde a vitória eleitoral de Magyar em abril, o novo governo húngaro tem adotado uma abordagem mais pragmática, procurando garantias concretas para a minoria húngara, ao mesmo tempo que sinaliza a sua disponibilidade para permitir que a integração europeia da Ucrânia avance.
Budapeste concordou, em junho, em abrir os dois primeiros "clusters" de adesão, mas condicionou a realização de novos progressos ao reforço, por parte de Kiev, das proteções legais para a minoria étnica húngara da Ucrânia.
Na sequência de conversações com a ministra dos Negócios Estrangeiros húngara, Anita Orbán, no Luxemburgo, na segunda-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Andrii Sybiha, afirmou que ambas as partes tinham chegado a acordo sobre os próximos passos e congratularam-se com os progressos na implementação dos seus compromissos bilaterais.
O que muda com a nova lei das minorias?
Uma das disposições fundamentais estabelece um estatuto jurídico especial para as escolas em que mais de metade dos alunos recebam ensino numa língua minoritária que seja também uma língua oficial da UE. As escolas que preenchiam os requisitos para este estatuto quando a lei entrou em vigor podem mantê-lo, desde que pelo menos 20% dos seus alunos continuem a estudar nessa língua.
A lei alarga também a utilização das línguas minoritárias elegíveis nas atividades escolares e na comunicação, e acrescenta salvaguardas para o ensino na língua materna quando as escolas são reorganizadas ou encerradas.
Os alunos que recebem ensino em línguas minoritárias ou indígenas elegíveis poderão igualmente solicitar a tradução das perguntas nos exames externos, exceto nas disciplinas de língua e literatura.
Fundamentalmente para Kiev, o ucraniano continua a ser a língua do ensino público. As novas disposições reforçam o ensino em línguas minoritárias sem reverter a política mais ampla da Ucrânia de promoção da língua oficial.
As alterações baseiam-se nas reformas introduzidas em 2023, alargando as proteções às minorias cujas línguas são línguas oficiais da UE. O russo permanece fora do âmbito das novas salvaguardas.
Para além das negociações de adesão
A abertura dos próximos dois grupos temáticos constitui mais um passo no moroso processo de adesão da Ucrânia, mas não garante a adesão. Kiev ainda tem de levar a cabo reformas abrangentes, e a conclusão de cada grupo temático requer um acordo unânime entre os Estados-membros da UE.
Embora as objeções da Hungria pareçam ter sido resolvidas, outros países da UE ainda podem obstruir o progresso.
Prevê-se que a agricultura venha a ser uma das questões mais controversas nas negociações de adesão da Ucrânia. Alguns Estados-membros receiam que a integração do vasto setor agrícola da Ucrânia na Política Agrícola Comum da UE possa exercer pressão sobre os agricultores europeus, os subsídios e a concorrência no mercado.
Por enquanto, o acordo entre Kiev e Budapeste constitui uma conquista diplomática significativa e põe fim a uma longa disputa entre os dois vizinhos.
O Vaticano anunciou, esta terça-feira, 13, que o Papa Leão XIV foi diagnosticado com um adenocarcinoma pulmonar, após ter sido submetido a uma cirurgia torácica, para remover um nódulo no pulmão, no Hospital Gemelli, em Roma.
"O Santo Padre foi submetido, tal como previsto, a uma intervenção de cirurgia torácica. Para que a cirurgia fosse radical, o lobo inferior do pulmão direito foi removido através de uma técnica videoassistida. O exame histológico imediato confirmou o diagnóstico de um adenocarcinoma pulmonar, tal como suspeitado nos exames pré-operatórios", lê-se num comunicado divulgado pela Santa Sé e assinado pelo médico Luigi Carbone e pelo professor Stefano Margaritora.
A mesma nota adiantou que o Sumo Pontífice "permaneceu na sala de operações durante cerca de três horas, tendo a cirurgia durado cerca de 90 minutos".
"A cirurgia foi bem-sucedida e não se verificaram complicações. Depois da intervenção, o Papa acordou normalmente e, após um breve período de observação, regressou ao seu quarto no 10.º andar", complementou.
A equipa cirúrgica foi liderada pelo professor Stefano Margaritora, que foi assistido pela professora Elisa Meacci, pela doutora Maria Teresa Congedo e pelo doutor Leonardo Petracca Caravella. A equipa de anestesiologia, por seu turno, foi composta pelo professor Massimo Antonelli, pelo doutor Giovanni Punzo e pelo doutor Giuseppe Bello.
Recorde-se que Leão XIV deu entrada no hospital ao início da tarde de ontem, 13, dois dias depois de ter anunciado que seria operado a um nódulo "circunscrito ao pulmão", que foi detetado "numa fase muito inicial".
Oncologistas citados pela agência norte-americana Associated Press (AP) consideraram que, mesmo que o nódulo fosse cancerígeno, o prognóstico era "excelente", uma vez que terá sido removido numa fase inicial.
Fiéis, homens e mulheres religiosos reuniram-se na capela do hospital Gemelli, em Roma, para rezar pela saúde do Papa.
Na segunda-feira, o Vaticano cancelou todas as audiências do Papa até ao próximo dia 20 de outubro, duas semanas após a cirurgia.
Leão XIV tornou-se o líder de 1,4 mil milhões de católicos em todo o mundo - e o primeiro Papa norte-americano da história - a 8 de maio de 2025, após a morte do argentino Papa Francisco, aos 88 anos.
Embora menos exuberante que o antecessor, Leão XIV imprimiu gradualmente o seu próprio estilo à liderança da Igreja Católica, abordando algumas das questões mais prementes a nível mundial, dos conflitos mortíferos à Inteligência Artificial.
“Foi detetado numa fase muito inicial e está bem localizado”, declarou o pontífice durante uma intervenção na Praça de São Pedro.
O gabinete de imprensa do Vaticano adiantou aos jornalistas que a intervenção está prevista para o início da semana e que o tempo de recuperação estimado é de cerca de uma semana.
Durante a alocução semanal na Praça de São Pedro, o pontífice, de 71 anos, explicou, segundo a Euronews, que o nódulo foi detetado em “exames recentes” e que os médicos consideram ser melhor intervir.
“Foi identificado numa fase muito inicial e está bem localizado”, disse.
“Decidi submeter-me a cirurgia para o remover”, acrescentou, indicando que o procedimento está “já marcado para os próximos dias”.
A operação deverá realizar-se no Hospital Universitário Gemelli, em Roma.
Conforme a mesma fonte, o gabinete de imprensa do Vaticano adiantou aos jornalistas que a intervenção está prevista para o início da semana e que o tempo de recuperação estimado é de cerca de uma semana.
Nascido em Chicago, Leão XIV tornou-se papa em 2025, após a morte do seu predecessor, Francisco.
Segundo a American Lung Association, um nódulo pulmonar é uma “pequena massa de tecido denso no pulmão” que pode ser detetada em radiografias torácicas ou tomografias computorizadas.
A organização esclarece que, embora a maioria dos nódulos pulmonares seja benigna, alguns podem ser cancerígenos.
“Se o nódulo aparentar ser cancerígeno (maligno) ou o seu historial clínico indicar um risco mais elevado de cancro, os médicos irão pedir exames para saber mais sobre o(s) seu(s) nódulo(s)”, lê-se no site da associação. “Estes exames incluem frequentemente uma combinação de técnicas de imagiologia, biópsias do nódulo e dos gânglios linfáticos e, por vezes, análises ao sangue.”, conclui a fonte referida.
A diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, afirmou esta segunda-feira, em Banguecoque, que a inteligência artificial (IA) deverá afetar cerca de 40% dos empregos no mundo, com os jovens entre os mais expostos à disrupção.
Numa intervenção no primeiro dia das Reuniões Anuais de 2026 do FMI e do Grupo do Banco Mundial, que decorrem de 12 a 18 de outubro na capital tailandesa, Georgieva descreveu a transformação tecnológica como "um tsunami lento", acrescentando que o impacto da IA já se faz sentir nas economias de todo o mundo, embora de forma desigual.
"É um tsunami lento, mas continua a ser um tsunami", disse aos participantes. "Estimamos que, ao longo do tempo, cerca de 40% dos empregos sejam reforçados pela IA, desvalorizados ou eliminados."
Segundo o FMI, cerca de 60% dos empregos nas economias avançadas serão afetados, contra 23% nos países de baixo rendimento. Georgieva advertiu, porém, que a diferença não significa que os países mais pobres estejam protegidos.
"Podem dizer: 'estão em melhor posição'. Não. Isso acontece apenas porque a IA ainda está mais distante", afirmou, acrescentando que a tecnologia ainda não se difundiu plenamente por muitas economias de menor rendimento.
Embora as preocupações com a perda de postos de trabalho dominem o debate em torno da IA, Georgieva sublinhou que o primeiro impacto económico da tecnologia surgiu através de um aumento da procura e do investimento.
A construção de centros de dados e os investimentos em modelos de IA impulsionaram o crescimento num número reduzido de economias, enquanto as cadeias de abastecimento associadas ao setor espalharam benefícios por várias partes da Ásia.
De acordo com Georgieva, os Estados Unidos, a China e a Índia emergiram como os principais produtores mundiais de IA, enquanto várias economias asiáticas beneficiam da construção das infraestruturas necessárias para sustentar o desenvolvimento da tecnologia.
Mas a responsável defendeu que a próxima fase da revolução da IA, a sua adoção em larga escala, poderá ter um alcance muito mais vasto.
"Todos podem participar", afirmou. "A adoção, se trabalharmos para criar as condições necessárias, pode ser muito democrática, tão democrática como o telemóvel."
Contudo, essa oportunidade depende da existência de fornecimento fiável de eletricidade, infraestruturas digitais adequadas, trabalhadores preparados para utilizar novas tecnologias e governos capazes de limitar abusos e riscos associados à sua utilização.
O FMI estima que a IA poderá proporcionar um impulso significativo ao crescimento económico na Ásia. Segundo Georgieva, as economias avançadas da região poderão registar um aumento do crescimento entre meio ponto percentual e um ponto percentual, enquanto as economias emergentes poderão beneficiar de ganhos entre 0,2 e 0,8 pontos percentuais.
A dirigente salientou que esses ganhos poderão ser particularmente importantes para sociedades envelhecidas e confrontadas com a redução da população ativa. "A IA compensará o envelhecimento e poderá até superar essa compensação", afirmou.
Apesar das oportunidades, grande parte da intervenção de Georgieva incidiu sobre os riscos para o mercado de trabalho.
Um estudo do FMI realizado nos Estados Unidos concluiu que cerca de 10% dos empregos já exigem competências relacionadas com a IA e oferecem remunerações mais elevadas. Em paralelo, os empregos rotineiros e repetitivos estão a diminuir.
"Aqueles empregos rotineiros e repetitivos estão a desaparecer", afirmou.
A investigação revelou também um aumento dos empregos de baixos salários, sobretudo na construção ligada aos centros de dados e nos serviços.
Embora o saldo global do emprego nas áreas analisadas continue a ser positivo, Georgieva advertiu que muitas das novas oportunidades se concentram em funções menos qualificadas e pior remuneradas, em vez dos empregos intermédios que tradicionalmente serviam de porta de entrada para os jovens no mercado de trabalho.
"As pessoas com quem devemos preocupar-nos em primeiro lugar são os jovens", afirmou.
Segundo a diretora-geral do FMI, muitos trabalhadores iniciavam a carreira em funções administrativas ou repetitivas antes de progredirem para cargos de maior responsabilidade. Com o desaparecimento destes postos, o percurso profissional tradicional pode ficar comprometido.
"Se esses empregos desaparecerem, não creio que qualquer jovem queira ser empregado de café como perspetiva profissional para o futuro", acrescentou.
"Gostemos dela, odiemo-la ou temamo-la, a IA já está cá", afirmou.
IA pode aumentar emprego e produtividade nos países em desenvolvimento, defende Banco Mundial
O presidente do Banco Mundial, Ajay Banga, defendeu, por sua vez, que a inteligência artificial (IA) poderá criar mais oportunidades de trabalho nos países em desenvolvimento, em contraste com os receios de perdas de emprego nos países mais desenvolvidos.
Ao falar na abertura do evento, Banga destacou que, "nos países de baixo rendimento e de rendimento médio inferior, a oportunidade para a pequena IA criar empregos e aumentar a produtividade é enorme".
Como exemplo citou casos no seu país natal, a Índia, onde ferramentas de IA ajudam agricultores a escolher melhores sementes, utilizar fertilizantes mais eficazes ou obter informação mais precisa sobre condições de produção, permitindo aumentar rendimentos e produtividade.
Banga afirmou que a promoção dessas aplicações práticas constitui uma das prioridades do Banco Mundial e do Conselho Global para o Emprego, um grupo criado para analisar o impacto das transformações económicas e tecnológicas no mercado de trabalho.
A diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, afirmou hoje, no mesmo evento, que a IA deverá afetar cerca de 60% dos empregos nas economias avançadas, contra 23% nos países de baixo rendimento, mas com essa diferença apenas porque a tecnologia ainda não se difundiu plenamente por muitas economias de menor rendimento.
Para Banga, nos países em desenvolvimento o desafio imediato não é a "substituição de trabalhadores por algoritmos", mas antes garantir que a tecnologia chegue a escolas, hospitais, explorações agrícolas e pequenas empresas, permitindo aumentar a produtividade e criar novas oportunidades económicas.
"A questão é particularmente relevante numa altura em que muitas economias emergentes enfrentam o rápido crescimento da população jovem e a necessidade de criar milhões de empregos nos próximos anos", alertou.
Nesse contexto, o presidente do Banco Mundial argumentou que a inteligência artificial poderá tornar-se uma ferramenta importante para acelerar o desenvolvimento económico, desde que seja aplicada de forma prática e acessível às necessidades do mundo em desenvolvimento.
"A criação de empregos deve estar no centro das estratégias de desenvolvimento, argumentando que o crescimento económico só produz benefícios duradouros quando é acompanhado de oportunidades de trabalho para uma população cada vez mais jovem", afirmou.
Segundo Banga, os governos podem garantir acesso a educação, saúde, água potável e formação profissional durante a infância e juventude, mas a verdadeira integração económica depende da capacidade de encontrar trabalho e contribuir para a sociedade.
"Quando as pessoas crescem, precisam da oportunidade de ter um emprego e de ser uma parte produtiva da sociedade", disse.
Banga sublinhou que a criação de postos de trabalho depende sobretudo do investimento privado e não apenas da ação governamental. "O setor privado gera entre 75% e 85% dos empregos em qualquer país", afirmou. "Os governos criam as condições, e o setor privado cria os empregos".
Nesse contexto, defendeu que uma das principais funções dos governos e das instituições de desenvolvimento é reduzir os riscos para que o capital privado possa investir em larga escala.
A inteligência artificial surge como uma ferramenta potencialmente importante nesse esforço, mas Banga destacou que as prioridades dos países emergentes diferem das das economias mais avançadas.
Ao contrário dos debates centrados na automação de empregos de escritório e nas capacidades dos modelos avançados de IA, Banga argumentou que muitos países em desenvolvimento poderão beneficiar sobretudo da chamada "pequena IA" ('small AI'), ou seja, soluções tecnológicas mais simples e direcionadas para problemas concretos.
"Nos mercados emergentes, a conversa não é sobre grandes modelos de linguagem. Em vez disso, os responsáveis políticos e económicos concentram-se em aplicações práticas da tecnologia capazes de melhorar a produtividade em áreas essenciais, incluindo educação, saúde e agricultura" destacou.
"A oportunidade para criar empregos e produtividade é enorme", concluiu.
Quatro republicanos e dois democratas subscreveram uma declaração a contestar o acordo anunciado por Trump na sexta-feira, alertando que viola a lei aprovada pelo Congresso.
“Os Estados Unidos não devem proporcionar a Putin um apoio financeiro enquanto a Rússia continuar a matar civis ucranianos. A Administração tem de mudar imediatamente de rumo”, escreveram os senadores, citados pela AP.
Um grupo bipartidário de seis senadores dos Estados Unidos apelou este domingo à administração do Presidente Donald Trump para que “mude imediatamente de rumo” relativamente ao plano de compra de gasóleo à Rússia, revelou o Obersvador que cita a Lusa.
De acordo com a agência de notícias AP, quatro senadores republicanos e dois senadores democratas subscreveram uma declaração este domingo divulgada em protesto contra o acordo anunciado na sexta-feira, afirmando que a administração de Trump não consultou o Congresso, nem apresentou qualquer explicação que justificasse a sua decisão, tal como exigido pela lei.
“Os Estados Unidos não devem proporcionar a Putin um apoio financeiro enquanto a Rússia continuar a matar civis ucranianos. A Administração tem de mudar imediatamente de rumo”, escreveram os senadores, citados pela AP.
Na sexta-feira, Donald Trump surpreendeu os legisladores ao anunciar nas suas redes sociais que tinha chegado a um acordo com o Presidente russo, Vladimir Putin, numa conversa telefónica, para que a Rússia fornecer, de imediato, mais de 300 mil toneladas de gasóleo ao mercado americano e mundial, seguidas de mais 500 mil toneladas em novembro e um milhão de toneladas “imediatamente a seguir”.
Os senadores republicanos que subscreveram a declaração são Susan Collins, do Maine, Lisa Murkowski, do Alasca, Thom Tillis, da Carolina do Norte, e John Curtis, do Utah. Já os senadores democratas são Jeanne Shaheen, de New Hampshire, e Richard Blumenthal, do Connecticut.
Segundo a mesma fonte, o senador republicano Thom Tillis, numa entrevista transmitida este domingo no programa “Meet the Press” da NBC, considerou haver fundamentos legítimos para afirmar que o Presidente não está a cumprir a lei caso o Governo avance com o plano de compra de gasóleo.
“Fomos muito claros ao afirmar que a Rússia é o agressor. É a Rússia que pode pôr fim a esta guerra, retirando-se do território que ocupou”, afirmou Tillis.
O anúncio de Trump surgiu algumas semanas após o Congresso ter aprovado legislação que instruía o chefe de Estado a impor direitos aduaneiros substanciais aos principais importadores de petróleo ou gás natural russo, com uma exceção para os países que importam menos de 15% das exportações de gás natural da Rússia e que tenham tomado medidas significativas para reduzir essas importações.
A iniciativa do Congresso visava reduzir o fluxo de dinheiro que a Rússia recebe com as vendas de petróleo e gás para financiar a sua guerra contra a Ucrânia.
Os legisladores salientaram ainda que o Congresso proibiu explicitamente as importações de energia da Rússia em 2022, para impedir que os Estados Unidos financiassem a guerra.
“O Congresso foi claro: os Estados Unidos não devem importar petróleo da Rússia até que esta ponha fim à sua agressão contra a Ucrânia e cesse as ameaças contra os nossos aliados da NATO”, escreveram os seis legisladores na sua declaração.
Questionado sobre se a ação do Presidente constituiria uma violação da legislação norte-americana, o senador republicano John Barrasso, do Wyoming, considerou que Trump está focado na redução do custo da energia e que “tem de tomar decisões difíceis”.
A fonte deste jornal destaca que Barrasso, que falava no programa “Face the Nation” da CBS, incentivou também Trump a fazer cumprir a lei de sanções que o Congresso aprovou no mês passado.
“Este é apenas mais um ponto de pressão que o Presidente pode usar contra Putin, num esforço para alcançar uma solução a longo prazo nessa região do mundo”, afirmou.
O acordo anunciado sexta-feira contempla entregas maiores previstas para os próximos meses, o que serviria para baixar o preço do gasóleo, uma das críticas dos norte-americanos a Trump a poucas semanas das eleições intercalares de novembro.
Trump, que abriu na primavera um conflito bélico com o Irão que reduziu o trânsito de petróleo pelo estratégico estreito de Ormuz, culpou a Ucrânia pelo encarecimento do gasóleo devido aos ataques às refinarias russas.
O líder dos Estados Unidos sugeriu mesmo que os ucranianos mudassem de Presidente para que seja possível acabar com a guerra com a Rússia, afirmando que Volodymyr Zelensky “não quer chegar a um acordo” com Moscovo, conclui a fonte deste jornal.
Críticas do presidente norte-americano surgiram depois de Zelensky ter atacado a Casa Branca por permitir operações com petróleo russo até abril do próximo ano. Foi, segundo o chefe de Estado ucraniano, um “investimento numa guerra que tem de acabar, e não de ser prolongada”.
O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, criticou duramente o acordo entre os Estados Unidos e a Rússia sobre o fornecimento de gasóleo, classificando a decisão como um “investimento numa guerra que tem de acabar, e não de ser prolongada”.
Donald Trump defendeu este sábado que “está na altura de a Ucrânia ter um novo presidente”, intensificando as críticas a Volodymyr Zelensky e sugerindo que uma mudança de liderança poderia facilitar um acordo para pôr fim à guerra com a Rússia. “Sugiro que arranjem um novo líder para poderem chegar a um acordo”, afirmou o presidente norte-americano citado pela CNN Portugal..
As declarações surgem um dia depois de Trump ter anunciado um entendimento com Vladimir Putin para aumentar o fornecimento de gasóleo russo aos mercados internacionais, numa altura em que a Casa Branca procura aliviar os preços da energia. O acordo provocou indignação na Ucrânia e prevê, segundo Trump, o fornecimento imediato de mais de 300 mil toneladas de gasóleo, seguido de outras 500 mil toneladas em novembro.
Relativamente aos ataques da Ucrânia a refinarias, Trump garantiu ter dito a Zelensky que poderia "fazer o que quisesse com a Rússia, exceto isso" “Esse é um problema mundial que ele está a provocar. E quer criar problemas para o mundo, problemas para os nossos agricultores e criadores de gado, por causa do gasóleo, porque a Rússia fornece uma grande parte do gasóleo consumido em todo o mundo”, argumentou Trump antes de partir para o Tennessee, onde deverá participar num comício para as eleições intercalares.
O presidente norte-americano, prossegue a mesma fonte, voltou também a responsabilizar Zelensky por não ter chegado anteriormente a um entendimento para terminar a guerra com a Rússia. “Zelensky poderia ter resolvido esta guerra muitas vezes”, afirmou.
Estas declarações de Trump aos jornalistas, no exterior da Casa Branca, surgem depois de a delegação enviada por Kiev à Florida para manter conversações com os enviados especiais norte-americanos para a Ucrânia ter antecipado o regresso.
O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, criticou duramente o acordo entre os Estados Unidos e a Rússia sobre o fornecimento de gasóleo, classificando a decisão como um “investimento numa guerra que tem de acabar, e não de ser prolongada”.
Conforme a fonte deste jornal, acontecem também depois de Zelensky ter afirmado ter criticado Trump por o presidente norte-americano ter anunciado que autorizará operações com petróleo russo até abril. A medida, afirmou o presidente ucraniano, foi um “investimento numa guerra que tem de acabar, e não de ser prolongada”.
“Precisamos de sinais fortes dos Estados Unidos, da Europa e de outros parceiros - sinais de apoio à Ucrânia e destinados a LIMITAR a capacidade da Rússia para fazer a guerra e aterrorizar as pessoas”, afirmou Zelensky. Horas depois do anúncio de Trump, ataques russos mataram pelo menos 17 pessoas na Ucrânia.
A intensificação dos ataques russos contra alvos civis e infraestruturas essenciais não demoveu a população ucraniana de rejeitar cedências unilaterais a Moscovo, revelou este sábado, 10 de outubro, um estudo do Instituto Internacional de Sociologia de Kiev divulgado pela agência EFE.
Apesar de manterem abertura à via diplomática, os cidadãos recusam capitular perante as exigências políticas e territoriais do Kremlin.
A vaga de bombardeamentos desta semana provocou, segundo a mesma fonte, mais de uma centena de mortos e mais de 430 feridos civis em várias regiões da Ucrânia.
O impacto das baixas foi agravado pelo choque gerado em Kiev após o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter anunciado a intenção de comprar gasóleo à Rússia, sem qualquer menção à recente escalada das operações aéreas de Moscovo.
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