“O facto de a China aparecer não é menor, é meio caminho andado para um pontapé de saída inicial, porque a China não dá um passo inocente, se está interessada em apostar nisso é porque se enquadra na sua política de expansão em África", disse o professor de Economia no Instituto Superior de Economia e Gestão, de Lisboa.
Cabo Verde está a criar uma zona económica especial marítima, uma ideia que Ennes Ferreira diz ser adequada ao modelo de desenvolvimento económico escolhido pelos governos cabo-verdianos, mas alerta que a escolha tem desafios.
"Há vários problemas, sendo um deles a inflação, porque o aumento de procura naquela ilha, a mão de obra, que vai ter de se deslocar, a pressão sobre os salários e o setor imobiliário, para além da questão da assimetria regional, são problemas que o Governo vai ter de resolver", disse o académico.
"Cabo Verde não é, em termos de desenvolvimento, equilibrado, o que é normal, mas se a ZEEM funcionar bem, a polarização vai fazer-se sentir de uma forma muito mais acentuada em São Vicente, a assimetria regional pode agravar-se e atingir um ponto insustentável para o equilíbrio interno do país, criando um enclave, em que há todas as condições para o crescimento económico de uma região, mas não há qualquer ligação à economia nacional", concluiu a mesma fonte citada pela Lusa.
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