quarta-feira, 17 abril 2024

Família: Crise de Valores ou Organização do Estado

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Pelo vínculo de ancestralidade, de sanguinidade, de afetividade numa relação de intimidade sadia, de partilha de espaço habitacional periodal, o descendente se admite à adoção continuada no caso de cônjuges, em suma, personalidade cuja identidade detém os mesmos valores históricos no determinado espaço geográfico. Eis a família nacional cabo-verdiana de outrora, em toda a plenitude de valores culturais, morais e sociais, e assim acontece à semelhança em caprichos e preconceitos pelo mundo generalizado, sobre uma visão do declínio.

 

Por Péricles Tavares

A vivência em família será eternamente um desafio que se supera pela harmonia e paz entre os seus membros, constituindo assim a maior e melhor dádiva e orientação do Criador, um relacionamento de forma exemplar a minimizar a zero o conflito que surja no decorrer da permanência em unidade, a repor em momento de crise, favorecer e priorizar o diálogo, o convívio entre todos, com principal enfoque nos filhos, que sendo herdeiros dos bons e maus costumes, possam servir também como um contributo valioso para a definição de carácter.

Há males que vêm por bem, lá sugere o adágio popular. No tempo das incertezas provocadas pelo Covid-19, em que nos vimos todos confinados, a verdade é que foi um tempo em que a família esteve reunida e unida na doce paz e amor fora de stress. Na realidade, foi um tempo marcante, divino e abençoado, com promessas prometedoras, matrimónios, festanças e nascimentos agendados para depois da tempestade, para alguns, mas sem menosprezar o sofrimento e a amargura nada agradável para tantos outros, rodeados de insatisfação, de insegurança, de dependência financeira. Para essas famílias, a minha solidariedade na construção do espírito de coesão familiar, onde tudo se torna possível e visível.

A família confidente, aquela família que se caracteriza pelo dom da oportunidade, de se poder expressar livremente sem receio de qualquer ato severo da paternidade, na nulidade de qualquer manifestação de mera conflitualidade, gerar confiança entre pais e filhos, marido e mulher, entre todos; onde a família ideal respeita o direito de cada um e de cada qual no espaço privado e territorial comum, ao não apontar defeitos, mas sim, a corrigir os erros com inteligência para melhor, e condenar o pudor da família numa decisão participativa, garantida de sustentabilidade, onde esconjurado o demónio da ditadura que assombra o pai de família, e em consciência considerar que nada que existe é perfeito, e o ser humano, ser imperfeito à procura da perfeição, sabe interagir sem magoar, com uma família feliz, que se tornará cobiçada e lendária.

A indiferença que define o comportamento e a personalidade de cada membro da família é um fator de aprendizagem para melhorar a compreensão e o relacionamento suportável, uma virtude e qualidade humana tangível e relevante, contudo também gregária com emoção.

Convém, como desafio, proporcionar a sã e agradável convivência, nunca adicionar um clima de “quem tudo quer, tudo pode, em tudo manda”, pois no lar tais atitudes não funcionam e em nada contribuem, fazem, sim, desmoronar o castelo de sonho, o princípio da confidencialidade e das certezas.

É de todos o entendimento que, para a vida, “no lar se educa, na academia se instrui”, cada tempo a seu tempo, e toda a energia positiva deve ser direcionada para tal, ofertada a solução, é importante restabelecer o clima de concórdia contra crispação de raiva, o espírito de vingança, rancor, ódio na mente, o pulsar de coração do membro familiar.

A trajetória giratória do planeta, o Homem, pela compreensão que lhe é peculiar, depara-se com inúmeras situações a considerar e evitar, que vão desde as alterações climáticas até às mais preocupante, como as guerras sem razão aparente, as doenças inesperadas, tanto incuráveis como imagináveis. Tudo isto faz os seres vivos a cada momento sobrecarregados de stress, tornando-os inconformados e intolerantes uns com os outros, e talvez seja pela cura, pela solução de se valer do raciocínio, a boa conduta familiar e o civismo familiar são a fundação do lar como berço seguro.

Na falta de considerações antes referenciadas, a sociedade a perpetuar pelo conceito de família tradicional, admitindo a poligamia como mal menor, contraria a monoparental ou uniparental, heteroparental, mas fica aberta a discussão à busca de consensos.

Ainda se aponta como mal severo, a influenciar e infligir à família, o consumo de álcool e estupefacientes, sendo os mesmos os causadores da violência no seio do agregado, profetizada por palavras, por obras e omissões, e causando danos profundas na constituição e conservação dos valores a defender pela presente e seguintes gerações, a de não-violência.

Seria bom saber se o estado social está de acordo com os princípios fundamentais inspirados na Constituição de Cabo Verde, onde só o ministro da tutela tem resposta. A panela está ao lume, com janta garantida para a família cabo-verdiana nas Ilhas, com água potável suficiente do mar tratada, onde as cantinas escolares funcionam em condições de alimentar dignamente as crianças deste país. No entanto, ainda sem esperança à espera do saber, está a boa vontade e solidariedade de quem faz tempo a marcar passo no posto e encargo de sofrível governação.

A família, pilar alicerçado da sociedade no estado de direito republicano, está, infelizmente, depois do parasitismo governativo empossado na administração pública, que servem para servir sobre compensação de salário meritório e onde muitas das vezes não acontece pela incoerência fiscalizadora do sistema, com os vários condicionalismos implantados para melhor enganar o pacato povo em Cabo Verde e no mundo.

O mal-estar social em que vive o povo das ilhas que compõem o arquipélago de Cabo Verde, é algo que ninguém, nenhum cabo-verdiano de boa-fé, em consciência livre, pode ignorar, onde subscreve as más políticas desencadeadas pelos sucessivos governos e governantes partidários falaciosos, em matéria do crescimento do PIB. Se for real, então rogamos pela divisão da gordura, do sobejo emergente, pelos pensionistas, reformados, estudantes bolseiros, função pública, pelo povo no geral, deambulante no estado desorganizado à deriva no mar do pobretão e rumo à emigração da escravidão como resignação.

O bom governo e governante tem a nação arrumada com orgulho, com a família próspera e feliz, e pelo rosto do povo acredita-se no governo e em quem ele governa!

Os tempos são outros, as gerações estão cada vez mais exigentes e urge dar respostas atempadas, e satisfatórias, a cada setor de atividade nacional enraizado nas autarquias locais como pivot para o desenvolvimento sustentável, chumbando a atitude de governo sanguessuga do erário público como um esbanjador desmedido, sonolento e dorminhoco, que tem o dever de esclarecer ao povo de forma mobiliadora a pronta participação cívica e política, um comportamento notório de um Edil, um líder independentista com orgulho do munícipe, da família e de todo nacional.

Será de todo consensual afirmar que a família cabo-verdiana está dividida como sempre esteve desde o tempo da ditadura fascista, na primeira dinastia perisiana. Na segunda república da hipocrisia democrática veigalómana, e seguintes, a nação se viu confrontada com o processo emigratório sistemático pela máxima culpa do governo encabulado de estupidez governativa. Quem parte, deixa parte de si nestas ilhas, com famílias em descomposição, e uma nuvem de saudade que esvoaça com o vendaval no tempo da insuportável bagunça governamental.

A partida, o rumar de um povo à emigração, enfraquece a nação pela carência de emprego, pela não compensação em alternativa de sobrevivência, pela honra e dignidade característica de um povo, mas ajuda ao florescimento da economia a nível do pico, logo, e de seguida, vira o declínio com o envelhecimento de quem era novo, um processo natural a somar às mudanças de mentalidade, de personalidade, lançados à emigração pela alegria e satisfação do tirano governante, mas perdidos na distância e no tempo, com diminuta vontade de imigrar para relembrar a miséria do tempo de menino, da casa paterna desapropriada, do direito de insalivar pão, de tragar água fresca, sem energia, sem voz para solfejar a máxima patriota de Norberto Tavares, “Cabo Verde de Esperança”, e ao fechar os olhos, esquecer como alguns decidiram.

A nação avisa e recomenda o governante da tutela, mas o governo no seu esplendor pomposo e luxuriante, recusa-se a dar atenção à família, não só à congénita, mas também, à família nacional como ponto de partida e partilha, aquela que garanta o título, o bem manjado que o define como elite governativa à margem dos tidos por cabresteados que rendam para a cidade.

Respeito se exige para com a família nacional cabo-verdiana!

Cidadela, Março de 2024

 

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