O diretor do Centro Nacional de Arte Artesanato e Design (CNAD) disse à Inforpress que a exposição “As cores incendiárias de Bela Duarte”, que será inaugurada na quinta-feira, em São Vicente, pretende celebrar a vida e a obra da artista.
Segundo Artur Marçal, a escolha de Bela Duarte, tal como as exposições de Manuel Figueira e Luísa Queirós já inauguradas pela CNAD, deve-se ao facto serem “figuras incontornáveis” das artes plásticas, precursores das artes plásticas em Cabo Verde e fundadores do projecto Cooperativa Resistência, que deu origem ao que é o Centro Nacional de Artesanato.
“Vamos fazer uma exposição que ocupará duas galerias, em que teremos tapeçarias, batik e pinturas. Teremos 16 pinturas, 14 obras de batik e 16 de tapeçarias, algumas de dimensões consideráveis. Bela Duarte surpreendeu-nos com a dimensão das suas obras”, explicou Artur Marçal, para quem a artista soube transmitir a sua grandiosidade à sua criação através destas três linguagens- pintura, batik e tapeçaria.
O objectivo da exposição, afirmou, é mostrar ao público e a quem visita o centro o trabalho de Bela Durante porque “é uma obra extremamente importante no panorama artístico em Cabo Verde”.
Para o director do CNAD essa exposição resultou de um trabalho minucioso de investigação e de selecção feito pelos técnicos do CNAD e também do envolvimento da família, neste caso, dos dois filhos de Bela, António Duarte e Salomé Duarte.
“Mas também graças a um grupo de coleccionadores particulares que cederam às obras deste projecto e nos permitiram invadir as suas casas para ver as obras, para documentar, para registar todos os trabalhos de investigação que era necessário fazer”, adiantou a mesma fonte, informando que “há muitas obras que são de colecção privada” que “muita gente não conhece”.
“Muita gente vai se surpreender com a qualidade do trabalho de Bela Duarte. Encontramos um batik de três metros de comprimento e uma tapeçaria de dois metros de altura”, prognosticou o director do CNAD, informando que foi um processo que deu muito trabalho do ponto de vista da pesquisa porque é preciso saber onde estão as obras, entrar em contato com o dono, ir até a pessoa, ver as obras, formalizar o pedido de autorização, depois o seguro, o transporte, a limpeza e a conservação das obras por muitos anos.
“E é interessante que quando começamos o processo de busca pelas obras chegávamos nas pessoas e elas diziam que conheciam outras pessoas que tinha uma obra de Bela Duarte. E tem sido assim que a gente vai descobrindo as pessoas que têm os trabalhos”, relatou informando que o catálogo da Bela Duarte já está pronto e que será apresentado ao público em breve.
Artur Marçal considerou que os três (Bela Duarte, Manuel Figueira e Luísa Queirós) viveram no anonimato desde o momento em que saíram do CNAD. Pelo que explicou, agora o centro está a trabalhar precisamente para dar visibilidade ao projecto deles porque é a partir desta visibilidade que poderá projectar ainda mais a arte de Cabo Verde a nível internacional.
A Semana com Inforress
05 de abril 2024
Terms & Conditions
Report
My comments