segunda-feira, 27 julho 2026

Dia Mundial do Teatro/São Vicente: Actriz estreante aos 55 anos vê teatro como sua “libertação”

Contrariando a máxima de que “De pequenino que se torce o pepino”, Polibel só decidiu arriscar a subir num palco e passar a vestir a pele de actriz no ano passado, ao fazer parte do grupo de alunos do curso “Trá vergonha” (tirar a vergonha, em português) da Escola de Teatro Xpressá

Desta forma, aos 55 anos, aliou mais este “desafio” à sua profissão de gestora num serviço público e também a um outro “hobbie” como costureira, “dom” dado por Deus e influenciado pela mãe, a“maior inspiradora” para criar a marca “Trapos Polibel”.

Numa idade de “ousadias” e de viver novas aventuras “agora ou nunca”, tornou o seu papel no teatro mais activo, passou de apenas espectadora assídua e admiradora da capacidade de reiventar dos actores e actrizes, para também “fazedora” desta arte cénica.

“Ou faço agora, ou morro sem o fazer. E neste momento estou na idade de experimentar coisas que me fazem bem, que me fazem crescer enquanto ser humano e aumentar a minha auto-estima”, pontuou Polibel, que descreveu como “incrível” as experiências vividas com o grupo do curso para adultos da Escola Xpressá.

Há cerca de nove meses tem mandado a vergonha embora e se aprimorando a cada dia na interpretação, tanto assim é que hoje sente o teatro nada mais, nada menos do que “uma libertação”.

“É uma possibilidade de ser alguém que não sou eu e a quem empresto este veículo que é o meu corpo físico, mas também é a possibilidade de exprimir alguns sentimentos e estar sem minha própria consciência”, considerou.

Outros ganhos, elencou, é a maior consciência corporal, postura, capacidade de criar e entrar na pele das personagens e várias outras técnicas, que, segundo a mesma fonte, a tem feito ver que idade “não é limitação”.

“O que nos guia é o pensamento, é a vontade de fazer e vontade de saber que ainda é possível aprender muitas coisas, soltar-se mais, abrir a mente muito mais para trocas e partilhas”, afiançou Polibel, que disse levar ao palco precisamente essa jovialidade dentro de si e que não se enquadra no perfil tradicional traçado às pessoas com 55 anos.

Mesmo assim, garante não aspirar ser uma “grande actriz”, mas, apenas divertir-se ao criar outras figuras, que não somente a Polibel que todos conhecem.

Quer ver outros “eus” que estão a ser enriquecidos todos os dias com tudo o que tem aprendido com o teatro, e que podem ser constatados, por exemplo, em “Gustin”, personagem interpretada na peça “Caxote”, trabalho final do curso e cuja apresentação está agendada para os dias 05 e 06 de Abril, no Centro Cultural do Mindelo.

Em “Caxote” assume um pedinte, mudo e com “muitos vícios” e que criou através de uma mistura de várias pessoas, com quem tem convivido ou visto no dia-a-dia e a possibilitou colocar em prática os vários ensinamentos.

“Quando entras num personagem, tens de ser íntegro e o representar, independentemente se tem defeitos, se tem deficiências, tens de tornar-te neste personagem”, aconselhou Polibel, assumindo que quando veste “Gustin” torne-se “insuportável”.

Por tudo isso e muito mais, confirma estar a viver um “processo muito enriquecedor”, aprendendo técnicas “muito úteis” para a vida e responsáveis por não querer mais deixar o teatro de lado, nem como espectadora, e muito menos como fazedora.

O Dia Mundial do Teatro é celebrado o 27 de Março e a data é comemorada desde 1961, por iniciativa do Instituto Internacional do Teatro (ITI).

Neste dia pretende-se destacar a importância do teatro na história e cultura da humanidade, através de vários eventos e iniciativas organizados por todo o mundo.

 

A Semana com Inforpress

27 de março 2024

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Comentários

Soares
16 dias atrás

Pobresa , palavra que precisa sair nosso dicionário.

Miranda
20 dias atrás

Boa sorte

Terra
10 dias atrás

Mesmo verdade roupa sujo tem que ser lavado dentro da casa para os que não sabe o que fala,

Pub-Reportagem

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