O diretor-geral das pescas da Guiné-Bissau salientou esta segunda-feira que o país tem dificuldade em controlar a atividade na Zona Económica Exclusiva (ZEE) do país, numa área que compete à Marinha e exige patrulheiros com mais de 20 metros.
Carlos Nelson Sanó, diretor-geral do Instituto Nacional de Fiscalização e Controlo de Atividades de Pesca (Fiscap) da Guiné-Bissau, falava à Lusa à margem de um seminário hoje iniciado em Bissau por uma perita da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) a pedido do Ministério das Pescas guineense, para debater questões ligadas à pesca ilegal, pesca não regulamentada e pesca não declarada.
O seminário, de cinco dias, ministrado por Teresa Amador, jurista portuguesa, consultora da FAO para questões das pescas, visa elaborar uma estratégia e plano de ação para o combate às três formas de pesca irregular na Guiné-Bissau.
O diretor-geral da Fiscap notou que o assunto preocupa as autoridades guineenses, que, "não obstante os avanços na vigilância das águas territoriais" do país, "ainda não conseguem" controlar a pesca ilegal, pesca não declarada ou pesca não regulamentada.
Até às 12 milhas náuticas, onde se pratica a pesca artesanal, a Fiscap, com ajuda da Guarda Nacional, ainda consegue controlar a atividade, estando o problema para lá dessa zona, admitiu Nelson Sanó.
Até às 12 milhas, a Fiscap possui patrulheiros com menos de 20 metros, que não conseguem estender a sua missão para lá das 25 milhas náuticas, precisou.
“É preciso que se pense num patrulheiro que ultrapasse esses padrões de 20 metros que nós temos na Fiscap e que possa ser afetado à Marinha de Guerra Nacional, porque normalmente todo o navio patrulha que ultrapasse 20 metros fica sob a alçada da Marinha de Guerra Nacional", afirmou.
Neste momento, segundo o diretor-geral da Fiscap, a Marinha guineense não tem capacidade para controlar a atividade de pesca na Zona Económica Exclusiva (ZEE) do país, que vai das 12 milhas até às 200 milhas náuticas.
Teresa Amador disse à Lusa que o seminário hoje iniciado, e que junta diversas entidades do país com competências para autorizar a entrada e uso dos portos pelas embarcações estrangeiras de pesca, visa propor medidas sobre o assunto.
As medidas serão enquadradas no âmbito do chamado Estado Porto, um acordo proposto pela FAO, em vigor desde 2016, e que já conta com a adesão de vários países, com a finalidade de fiscalizar a atividade de pesca e determinar se os produtos capturados no mar não provêm de pesca ilegal, pesca não declarada ou pesca não regulamentada.
O diretor-geral da Fiscap esclareceu que a Guiné-Bissau já aprovou a adesão a esse acordo ao nível do Governo, faltando agora a sua ratificação pelo parlamento.
Carlos Nelson Sanó disse acreditar que a Guiné-Bissau fará parte do acordo nos próximos tempos.
Teresa Amador salientou que a Guiné-Bissau, ao fazer parte do acordo, estará a participar no combate às atividades de pesca ilegal, não regulamentada e não declarada, no que é “uma obrigação internacional”.
“De facto, o fenómeno é um flagelo da pesca ilegal, não declarada e não regulamentada e que afeta, principalmente, os pequenos estados em desenvolvimento”, disse a jurista portuguesa.
Teresa Amador reconheceu que, dadas as características de fragilidades e de vulnerabilidades, a Guiné-Bissau acaba por ser dos países mais afetados pelas três formas de pesca irregular.
A consultora da FAO indicou que o seminário que orienta vai permitir ainda “abordar as várias responsabilidades” da Guiné-Bissau enquanto Estado do Porto, Estado Mercado, Estado Bandeira e Estado Costeiro.
A ideia, disse, é identificar lacunas e áreas que precisam ser melhoradas numa harmonização das leis internas e das normas internacionais.
A Semana com Lusa
Marinha dos EUA Caça Bubo, Mas Fecha os Olhos aos Saqueadores do Nosso Mar?
Ah pois, claro... a Guiné-Bissau não tem patrulheiros com mais de 20 metros, não consegue controlar a pesca ilegal na sua própria Zona Económica Exclusiva, mas curiosamente, quando se trata de capturar o Almirante Bubo Na Tchuto, a Marinha dos EUA aparece nas nossas águas como se isto fosse o quintal deles. Que eficiência, não é?Pergunta sincera (mas com aquele tom bem sarcástico): já que estão cá por perto, a passear com destroyers e drones, porque é que não nos fazem um favorzinho e metem esses mesmos meios a patrulhar a nossa ZEE? Já que conseguem detectar uma canoa com cocaína a 200 milhas, decerto conseguem ver também um arrastão chinês a saquear o nosso pescado, não?
Porque, vamos ser honestos, a pesca ilegal está a sugar as entranhas do nosso mar, e o Estado guineense, coitado, está a remar com pás de plástico contra traineiras industriais. A Marinha Nacional não tem meios, o Fiscap chega até às 12 milhas e depois... é mar aberto para o crime, como quem diz “podem servir-se, senhores”.
Mas quando interessa a alguém “lá de fora”, aparecem submarinos e helicópteros com bandeirinhas estreladas. Para proteger os nossos recursos, zero. Para proteger interesses geoestratégicos e apanhar um ou outro nome sonante do narcotráfico, aí sim, já somos prioridade.
Portanto, se a Marinha dos EUA quer mesmo ser útil, em vez de vir dar lições ou mostrar músculo, que meta os seus brinquedos de guerra a patrulhar a costa guineense. Já que estamos todos a viver num mundo global, façam lá um patrulhamentozi nho “solidário”. Afinal, a pirataria moderna veste fato e gravata... e come peixe roubado.
E se não quiserem ajudar... ao menos não atrapalhem.
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