O cantor Memé Landim pretende criar, nos próximos tempos ou antes de morrer, uma escola de música para ensinar jovens a tocar gaita para que o funaná tradicional não continue a “perder forças” para o fenómeno “cotchi pó”.
Em entrevista à Inforpress, Armando Landim do Nascimento, de nome artístico Memé Landim, adiantou que pretende abrir duas escolas dedicadas a formação neste instrumento musical tradicional, sendo uma em Cabo Verde e outra em França, onde viveu parte da sua vida como emigrante.
O também tocador de gaita advertiu que o “funaná puro” [funaná tradicional], que é património cultural imaterial de Cabo Verde, é feito de ferro/ferrinho e gaita, não obstante muitos “bons tocadores de gaita” como Belo Freire e seus filhos, e os filhos de Codé de Dona terem enveredado pelo fenómeno “cotchi pó”, que caiu no gosto de muitos cabo-verdianos.
“Contrariamente a estes bons tocadores de gaita nunca vou deixar de fazer um funaná puro, ou seja, sem misturas. Assim como aprendi é que tenho feito o funaná”, insistiu o artista, que lançou recentemente o single “La Txada Lora”, uma homenagem à sua terra natal.
“Funaná puro não pode morrer, apesar de muitos preferirem o fenómeno “cotchi pó”. Acredito que ainda há muitos jovens e velhos, sobretudo pessoas do meu tempo, que querem ouvir o funaná puro, ou seja, de antigamente como o que faço, que Codé di Dona fez, e Bitori Nha Bibinha também continua a fazer”, concretizou o artista.
Para o músico, que aprendeu a tocar gaita aos 19 anos, a efectivação desta escola de música vai potencializar o surgimento de outros “bons tocadores” de gaita com foco no funaná tradicional, que Marujo Gomi, Eugénio Tomás de Achada Carapati e Benvindo de Rincão (Santa Catarina), Victor de Bitori Nha Bibinha e Katuta Branca continuam a fazer como ele.
O cantor, que apresentou a nova música num dos restaurantes em Assomada, Santa Catarina, comprometeu-se em continuar a tocar a gaita com quatro dedos e com ferrinho, e não com três como muitos têm feito, referindo-se aos que enveredaram pelo “cotchi pó”.
Na ocasião, o compositor e instrumentista, que não quer saber do fenómeno “cotchi pó”, não descartou a possibilidade de lançar “antes de morrer” um disco com morna ou coladeira.
Mémé Landim nasceu a 11 de Março de 1951, em Achada Lora, no município de São Domingos, tendo emigrado em 1971, e só regressou após 52 anos à sua terra natal, onde deseja passar os últimos anos da sua vida, para continuar a partilhar a sua música e a ensinar os mais jovens a tocar gaita tradicional.
Editou o seu primeiro álbum “Canga boi” em 1999, seguido de “Txada pilan katuta” (2005).
Com uma carreira que se estendeu por Portugal, Espanha e França, Memé Landim é considerado um dos tocadores de gaita mais icónicos de Santiago.
A Semana com Inforpress
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