domingo, 01 novembro 2026

Bitori Nha Bibinha quer gravar um CD de mornas e coladeiras

Segundo Victor Tavares, nome de baptismo de Bitori Nha Bibinha, já contactou com o ministro da Cultura e Indústrias Criativas, Augusto Veiga, no sentido de lhe financiar o referido trabalho, mas, conforme avançou, está a aguardar a resposta.

“Ele [ministro da Cultura], depois de o contactar, pediu-me para lhe enviar uma cópia das músicas que pretendo gravar ainda antes de morrer, o que fiz prontamente”, revelou Bitori Nha Bibinha.

Aos 87 anos de idade, ainda toca a gaita com muita mestria. Também tem se empenhado em ensinar os mais jovens para que, segundo ele, a tradição não morra. Exemplo disso é o caso de Eduíno, do famoso grupo musical Ferro Gaita, que aprendeu com ele a executar o funaná.

“Tenho estado a ensinar alguns jovens, mas quando começam a sentirem-se que já estão bons, abandonam e nunca mais os vejo e só oiço a dizer que fulano ou beltrano está a dar espectáculos num ou noutro local” queixa-se Bitori, que acusa alguns dos seus formandos de não cumprirem o combinado, deixando dívidas por pagar.

O senhor do funaná e mestre do acordeão (gaita) cobra uma mensalidade de cinco mil escudos, mas agora os aprendizes são obrigados a pagar um mês adiantado e, se forem embora, “não deixam dívidas”.

“Assim, ninguém me fica a dever”, indicou Bitori que começou a tocar gaita de boca e, só mais tarde, a gaita normal.

“O meu primeiro espectáculo, que aconteceu em casa da dona Antónia Abreu, em Porta Belém [cidade da Praia], foi com uma gaita de boca e toquei durante toda a noite”, lembra Bitori Nha Bibinha, que nasceu na localidade de Cabeça de Horta, município de São Domingos.

Já perdeu a conta dos espectáculos que tem dado no país e no estrangeiro, sendo que Portugal e França foram os últimos países onde actuou com Chando Graciosa.

Instado sobre a música “Bitori Nha Bibinha ta txora pobreza” (Bitori Nha Bibinha lamenta pobreza) explicou: “Estava a dormir e, a certa altura, acordei e comecei a pensar como arranjar dinheiro para comprar comida para mim e a minha família. Havia muitas dificuldades. Por isso, resolvi fazer esta música que, pelos vistos, muitas pessoas gostam dela. Não sei se é porque a música fala da pobreza ou se é por outros motivos, nomeadamente pelo facto de eu não ter dinheiro”.

Bitori Nha Bibinha tornou-se famoso pela qualidade de kankan (rapé) que vende, atraindo clientes de várias idades.

Quem o visita em sua casa em Achadinha, Praia, além de se deparar com uma colecção de gaitas, que o tornaram famoso pela forma como executa o funaná, um género musical típico do interior de Santiago, que desceu à cidade para se espalhar por todo Cabo Verde, ainda pode assistir ao vaivém de pessoas, entre jovens e adultos, que o procuram para comprar o seu “famoso” kankan (tabaco moído).

 

A Sema com Inforpress

Ocultar formulário

5000 caracteres restantes


Colunistas

Péricles Tavares
Péricles Tavares
29 Oct. 2026
Democracia, Estado de Direito e Soberania em...
O parlamentarismo, a separação dos poderes, os partidos políticos...
Efrem Soares
Efrem Soares
29 Oct. 2026
Energia: Sal de volta aos cortes...
  Apelo, mais uma vez, ao Governo para que dê...
Alexandre Vieira Fontes
Alexandre Vieira Fontes
27 Oct. 2026
Falta de dinheiro ou melhor alocação dos...
O desenvolvimento de um país não depende apenas da...
Léo Rosa de Andrade
Léo Rosa de Andrade
27 Oct. 2026
BRINCAR COM A SORTE
Eu pensava na palavra sorte e fui bater no...
César Augusto G. Garcia
César Augusto G. Garcia
21 Aug. 2026
COISAS DO ESTADO ou ESTADO DE COISAS...

Comentários

joão do rosário
COM_RSCOMMENTS_NUMBER_OF_MONTHS 24 dias atrás

SENHOR PRESIDENTE, DEIXE-SE DE TRETAS: NÓS SABEMOS QUEM O SENHOR É José Maria Neves vem agora dizer que é “muito melho ...

jcf
COM_RSCOMMENTS_NUMBER_OF_MONTHS 26 dias atrás

Cabo Verde tem uma facilidade extraordinária para comentar o que se passa na casa dos outros. Guiné-Bissau, Angola, Moçamb ...

joão do rosário
COM_RSCOMMENTS_NUMBER_OF_MONTHS

Isto já parece gozo. 177 casos desde o início do ano e já estão outra vez a sacudir o fantasma da pandemia. Sem números ...

Pub-Reportagem

publireport